Telemonit SNS 24

Aplicação de telemóvel permite acompanhar doentes à distância

Aplicação de telemóvel permite acompanhar doentes à distância

O sistema Telemonit SNS 24, que permite o acompanhamento de doentes em ambulatório através do uso de um telemóvel, arrancou na manhã desta sexta-feira, no Hospital de Pedro Hispano, em Matosinhos. Para já, aplica-se no âmbito da doença pulmonar obstrutiva crónica e da insuficiência cardíaca, mas está configurado para ser usado noutras patologias.

Além do Hospital de Matosinhos, que colaborou diretamente com a SPMS - Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, EPE no desenvolvimento da tecnologia, também o Centro Hospitalar Universitário do Algarve testou o sistema, mais recentemente, e agora a expectativa é que todos os hospitais e centros de saúde do país venham a usá-lo. Há duas condições à partida: é necessário ter um smartphone e descarregar a aplicação, mas os médicos é que indicam quais os doentes que podem ter acesso a esta ferramenta.

Jorge Martins, especialista em Medicina Interna no Hospital Pedro Hispano, explicou aos jornalistas, na apresentação do novo sistema, que quem não tiver um telemóvel compatível pode usar o de um familiar próximo. Há ainda a hipótese de, a breve prazo, serem os serviços de saúde a incorporar o telemóvel no kit que é fornecido aos doentes com os dispositivos que fazem a leitura dos sinais vitais.

Conforme a necessidade do doente, é-lhe fornecido um saturímetro, um tensiómetro, um termómetro ou uma balança, estando ainda a ser desenvolvido um dispositivo para pesquisa de glicemia capilar. O utente mede os sinais vitais no equipamento, que comunica com o telemóvel por bluetooth e, por fim, os dados são transmitidos a uma central hospitalar. Com as suas credenciais, o médico acede à informação em qualquer computador.

"Para cada doente, o hospital determina quantas vezes deve avaliar os sinais vitais", referiu Jorge Martins, sublinhando que o sistema visa "manter estes doentes em ambulatório" o mais possível. "Dá-nos segurança a nós, profissionais de saúde, e dá segurança aos utentes. Ajuda o doente a gerir as suas doenças crónicas", acrescentou o médico.

Mário Marques tem 78 anos e não se atrapalha com as novas tecnologias. Com o oxímetro no dedo indicador esquerdo, revelou aos jornalistas as vantagens de ser utilizador: "Estar informado do estado clínico em que me encontro, ao verificar a saturação de oxigénio e os batimentos cardíacos, e saber o que fazer e quando". Além disso, pode deslocar-se "a qualquer lado" e levar os aparelhos.

Segundo Luís Goes Pinheiro, presidente do Conselho de Administração da SPMS, a aplicação está configurada para, por exemplo, gerir o acompanhamento de doentes covid que mantêm queixas ou doentes que estão em regime de hospitalização domiciliária. Ou seja, o sistema pode ser adaptado "a diversas patologias, mantendo-se a mesma aplicação e os mesmos equipamentos".

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Quanto à utilização do Telemonit SNS 24 pelos idosos, disse que "os doentes vão lidando com a tecnologia com maior facilidade", lembrando: "A pandemia deixou-nos esse legado". Mas sublinhou que "uma das decisões dos médicos é se o utente é capaz de usar este tipo de ferramentas".

A esse propósito, António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde, referiu que se trata ainda de um projeto-piloto e que, à medida que for replicado, serão dadas condições aos doentes no sentido da "equidade nesta telemonitorização". Sobre o projeto em si, afirmou tratar-se de um mecanismo "essencial para retirar a pressão dos serviços de urgência e das instituições de saúde".

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