Protesto

Com a produção parada, trabalhadores da Efacec pedem intervenção ao Governo

Com a produção parada, trabalhadores da Efacec pedem intervenção ao Governo

Com falta de matéria-prima, várias secções de produção da Efacec estão paradas. Os trabalhadores, reunidos esta quarta-feira em protesto à porta da sede da empresa, em Matosinhos, exigiram a nacionalização da firma.

Sem cobre nem ferro, em particular na secção dos transformadores da Efacec, o que lá se faz são "reparações e coisas mínimas", contou um trabalhador ao JN que, por receio de represálias, preferiu manter o anonimato. "Não há uma produção massiva como havia", lamentou o mesmo funcionário, revelando que, entre os trabalhadores, "já se fala que circula uma lista de 200 a 400 pessoas" para um novo despedimento coletivo.

"Custa-me muito acordar às 5.20 horas da manhã para vir para aqui, de segunda a sexta, e saber que, nessa semana, se tiver um dia ou uma manhã de trabalho, é muito", confessou. "Não queremos isso. Queremos trabalhar e produzir", reforçou.

Uma das reivindicações dos trabalhadores é que o Estado se comprometa a comprar matéria-prima para que possam trabalhar. Perante a falta de produção, os funcionários admitem ainda recear que a empresa deixe de ter dinheiro para pagar os salários. Até à data, não há vencimentos em atraso.

Para o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente (Site) do Norte, o compromisso do pagamento dos salários "não é o suficiente". "Os trabalhadores querem trabalhar, honrar os seus compromissos, entrar ao trabalho, produzir, e colocar a empresa num caminho de desenvolvimento. Neste momento, não sabem qual é o futuro da Efacec por mais entrevistas que alguns possíveis compradores ou até membros do Governo deem, não há nenhuma garantia", afirmou Sérgio Sales, dirigente sindical.

Por sua vez, a empresa, em comunicado, garantiu: "A confiança no futuro está assegurada, desde logo pela carteira de clientes dado que estão em curso novos projetos, resultado de novos contratos celebrados em 2021, para lá da carteira global que detém e que está a executar". A empresa "tem sentido o impacto global em todos os setores e áreas, devido à disrupção nas cadeias de abastecimento, causada pela pandemia, mas a produção mantém um ritmo variável dependendo das encomendas que tem em curso".

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Um outro trabalhador, também sob anonimato, referiu ter medo de um novo despedimento coletivo quando terminar o processo de reprivatização.


"Desvalorização da empresa"

Para os trabalhadores e sindicato, a solução é a nacionalização total da empresa. "Encaixar a empresa no setor empresarial do Estado é a melhor garantia não só dos postos de trabalho, mas também do desenvolvimento e do futuro da Efacec", acrescentou Sérgio Sales. "Cabe ao Governo português saber se entende zelar pelos interesses dos trabalhadores, da região e do próprio interesse público, ou se interessa fazer negócios seja lá com quem for", afirmou.

Sobre o processo de reprivatização, os trabalhadores "sentem que não há projeto nenhum", afirmou o dirigente sindical. Por sua vez, a empresa diz que o processo de reprivatização "está na fase final" e que está a "a responder aos pedidos de clientes, a prestar serviço e a desenvolver novos projetos".

"O Estado injetou 70 milhões de euros na Efacec. Não se sabe muito bem para onde. Não há propriamente uma fiscalização sobre esse dinheiro e os trabalhadores questionam-se onde está. Começaram a ver a falta de material em diversas secções, começaram a deixar de ter trabalho e há secções que não produzem", acrescentou o sindicalista.

Sérgio Sales observa que "há uma desvalorização da própria empresa neste processo de reprivatização, que até pode deixar uma pulga atrás da orelha sobre se não há alguma intenção da parte do Governo português de desvalorizar a Efacec, para que ela seja vendida". "Exemplos destes não faltam neste país, em que as empresas são nacionalizadas, pagamos todos os prejuízos, e depois elas são entregues a um amigo, a um conhecido ou até a um familiar, por uma tuta-e-meia", criticou.

"O Estado permitiu que ficasse a administração anterior na mesma a gerir a empresa. Nas palavras dos próprios trabalhadores, o Governo deixou a raposa dentro do galinheiro", notou o dirigente sindical.

"Coincidência ou não, a seguir ao plenário em que saem estas decisões, o Governo anuncia, através do Banco do Fomento, mais uma injeção de capital de cerca de 40 milhões de euros, mas continua a dúvida: quem é que vai gerir e para onde vai este dinheiro. O que os trabalhadores conseguem ver no seu dia a dia, por muito empírico que seja, é a troca da frota automóvel da administração", referiu Sérgio Sales.

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