
Municípios têm manifestado preocupação face ao risco da redução nas rotas de distribuição de jornais
Foto: Leonel de Castro
Administrador reforça abertura da empresa ao diálogo. PS manifesta disponibilidade para encontrar solução e acusa Governo de imobilismo.
Uma semana depois de a VASP ter ameaçado deixar o Interior do país sem distribuição regular de jornais e revistas, justificando o corte com a queda das vendas e o aumento dos custos operacionais, que terão tornado algumas rotas insustentáveis, a empresa esclareceu que a redução das áreas de distribuição é apenas uma hipótese e reforçou disponibilidade para dialogar.
Rui Moura, que integra o Conselho de Administração da VASP, disse esta sexta-feira que ainda não há uma decisão tomada acerca do fim da distribuição em oito distritos do país, que poderá ficar em risco a partir de janeiro. "Os cenários de distribuição de Imprensa diária estão permanentemente a ser analisados e vêm desde 2021 e 2022, a seguir à pandemia, quando houve uma quebra significativa na venda dos jornais diários. Nós estamos em permanência a fazer cenários, este cenário está em cima da mesa", disse hoje, em declarações à TSF, adiantando que a decisão final depende das "decisões de muita gente".
O administrador da VASP lembrou que a empresa tem estado aberta ao diálogo desde há quatro anos: "Escreveu para a Associação Nacional de Municípios, escreveu para as 21 Comunidades Intermunicipais (CIM) e escreveu para todas as câmaras municipais em que os custos de distribuição superavam a remuneração."
CIM Douro "preocupada"
A Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro, que agrega 19 municípios de Bragança, Guarda, Vila Real e Viseu, manifestou-se hoje "profundamente preocupada" e demonstrou ao Governo disponibilidade para colaborar numa solução que assegure a distribuição diária de jornais no Interior do país a partir do próximo ano. Além dos distritos representados por esta CIM, poderá estar também em causa a distribuição em Beja, Évora, Portalegre e Castelo Branco.
"A potencial paralisação deste serviço não constitui apenas um dilema financeiro-empresarial, representa um grave atentado ao direito constitucional de acesso à informação, penalizando as populações do interior e acentuando a fratura da coesão territorial do país. Num território já vulnerável, o jornal diário é, frequentemente, o último elo físico e credível à esfera pública nacional", destaca a comunidade intermunicipal liderada por João Gonçalves, presidente da Câmara de Carrazeda de Ansiães, num ofício dirigido ao ministro da Presidência.
PS acusa Governo de "imobilismo"
António Leitão Amaro disse, na semana passada, que qualquer solução pública que ajude a assegurar a distribuição de imprensa no território nacional implicará sempre "mecanismos concorrenciais" e não passar cheques a uma empresa em concreto. "Reconhecendo a posição manifestada pelo Governo sobre a necessidade de se recorrer a mecanismos concorrenciais em detrimento de apoios diretos a uma empresa em concreto, a CIM Douro disponibiliza-se de imediato para integrar um grupo de trabalho", indica a missiva.
O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, disse que os socialistas querem ouvir Leitão Amaro, que tutela a Comunicação Social, sobre este tema, considerando fundamental para a pluralidade da democracia portuguesa que "os cidadãos, independentemente da região do país em que vivem, possam ter acesso à comunicação social escrita".
"O Governo não apresenta soluções perante um quadro em que periga a distribuição de jornais em zonas do país. (...) Até agora só temos preocupações e algum imobilismo para encontrar uma solução satisfatória", criticou, em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, assegurando que o PS "está disponível para contribuir desde o ponto de vista legislativo para assegurar as condições de distribuição".
