"Um país livre é um país informado". Interior mobiliza-se contra cortes na distribuição de jornais

As reações sucedem-se num país em que a coesão territorial continua por cumprir
Foto: Arquivo
Depois de a VASP admitir reduzir as rotas de entrega em oito distritos, os autarcas exigem ação rápida do Governo para evitar novas desigualdades no acesso à informação.
A possibilidade de a distribuição diária de jornais e revistas ser reduzida em vários distritos do Interior está a gerar indignação e união entre autarcas de Norte a Sul.
A VASP admite estar a reavaliar o modelo operacional devido a dificuldades financeiras, o que poderá afetar já a partir de janeiro milhares de leitores de Vila Real, Bragança, Guarda, Viseu, Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja. O risco de muitos portugueses ficarem privados da Imprensa impressa é visto como um golpe profundo no direito à informação.
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As reações sucedem-se num país em que a coesão territorial continua por cumprir. Em Vila Real, o presidente da Câmara, Alexandre Favaios, fala num "claro retrocesso no acesso à informação, um direito fundamental" e recusa que o Interior volte a ser penalizado. Em Trás-os-Montes, o presidente da Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM), e autarca de Vila Flor, Pedro Lima, assegura que os cidadãos das regiões interiores não podem ser "de segunda". A presidente da Câmara de Bragança, Isabel Ferreira, reforça: "Uma única pessoa num determinado território tem o direito de ter acesso à informação."
No distrito da Guarda, o presidente da Câmara de Figueira de Castelo Rodrigo e da Comunidade Intermunicipal das Beiras e Serra da Estrela (CIM-RBSE), Carlos Condesso, considera a intenção "penalizadora para estes territórios de baixa densidade". Sublinha que o Interior "não pode ficar ao abandono" e acredita que, "com bom senso, se encontrará uma solução". "Nós também somos portugueses de primeira", lembra.
Direito básico em causa
Em Viseu, o presidente da Câmara e da Comunidade Intermunicipal Viseu Dão Lafões (CIM-VDL), João Azevedo, recorda que a leitura diária é "uma questão cultural" e "decisiva para a preparação do conhecimento e do talento". Defende que o acesso aos jornais é "um pilar fundamental" da democracia e espera que "isto não se concretize".
Na Beira Baixa, o presidente da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB) e da Câmara de Proença-a-Nova, João Lobo, avisa que um corte destas características limitaria "uma informação plural" e provocaria "mais um rombo" na sobrevivência da imprensa regional. Também em Castelo Branco, o autarca Leopoldo Rodrigues rejeita desigualdades e afirma que "um país livre é um país informado".
Mais a Sul, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA) e da Câmara do Crato, Joaquim Diogo, diz-se "surpreendido e preocupado" e quer encontrar soluções com Estado e distribuidora para evitar que o acesso à informação seja posto em causa. Em Évora, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC) e da Câmara local, Carlos Zorrinho, defende que, se a empresa "não está em condições" de assegurar o serviço, é preciso "reforçar com essa empresa ou com outra".
No Baixo Alentejo, o presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL) e da Câmara de Castro Verde, António José Brito, lembra que está em causa "o direito à informação" e sublinha que a CIM é proprietária do "Diário do Alentejo", único jornal público do país. "A nossa expectativa é que o Governo venha a resolver esta questão com a VASP", afirma, sem afastar alternativas caso o serviço seja interrompido.
A VASP esclarece que a reavaliação das rotas resulta da "continuada quebra das vendas de imprensa" e dos custos operacionais crescentes, afirmando que mantém abertura ao diálogo e que não existe, para já, decisão definitiva.
A ERC considera que a anunciada redução "configura uma situação grave" com impacto no pluralismo e está a recolher informação para atuar "no âmbito das suas competências". Já a Associação Portuguesa de Imprensa exige "ações urgentes" que assegurem a continuidade do serviço e evitem que vastas áreas do país fiquem sem jornais.
