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A mensagem dos médicos italianos para o resto da Europa: "Preparem-se"

A mensagem dos médicos italianos para o resto da Europa: "Preparem-se"

"Queremos passar uma mensagem forte: preparem-se!". É desta forma que três médicos italianos da Universidade de Milão alertam, numa carta, o resto da Europa para o combate frente ao novo coronavírus. O país encerrou todos os museus, teatros e cinemas até 3 de abril, para conter a propagação do Covid-19. Há cerca de 16 milhões de pessoas em quarentena.

A carta, vista pelo jornal britânico "The Independent", revela a escala do impacto nos hospitais de Itália, onde há 5883 pacientes infetados pelo coronavírus e 233 mortes, de acordo com um balanço feito pela agência France-Presse, com dados atualizados às 9 horas deste domingo.

Os especialistas em medicina intensiva Maurizio Cecconi, Antonio Pesenti e Giacomo Grasselli, da Universidade de Milão, enviaram a carta à Sociedade Europeia de Medicina Intensiva (ESICM) a contar como foi difícil tratar pacientes com o coronavírus, revelando que até 10% de todos os infetados precisam de cuidados intensivos e que os hospitais estão a ficar sobrecarregados.

Um "número muito alto" de pacientes em medicina intensiva foi internado sobretudo por insuficiência pulmonar grave causada pelo vírus e precisam de ventiladores para os ajudar a respirar. Os médicos italianos aconselham os hospitais do resto da Europa a que se preparem para um aumento de pessoas internadas e alertam para a eventual necessidade de trabalho em contentores, sendo essencial haver equipamentos e treino para proteger os profissionais.

"Aumentem a capacidade total dos cuidados intensivos. Identifiquem os hospitais que possam gerir o impacto inicial de forma segura. Preparem áreas de cuidados intensivos para receber pacientes com Covid-19 em todos os hospitais, se necessário", sugerem os especialistas.

Numa nota à parte, o médico italiano de medicina intensiva Giuseppe Nattino, da província de Lecco, no norte da Itália, partilhou um resumo clínico dos pacientes na unidade em que está a trabalhar e que os médicos descrevem como "assustador".

Nattino explica que os pacientes com coronavírus sofrem uma infeção grave nos pulmões, necessitando de grande apoio de ventilação. O médico diz ainda que o Covid-19 afeta a pressão sanguínea, o coração, os rins e o fígado, exigindo que os doentes sejam submetidos a um tratamento prolongado.

O especialista em medicina intensiva revelou que há uma evolução inesperada e alarmante de pacientes mais jovens a serem infetados, referindo que a idade dos doentes varia na sua maioria entre os 46 e os 83 anos. "Os últimos dias mostraram uma população mais jovem afetada, que chega a hospitais sobrelotados e sobrecarregados", apontou.

A Itália encerrou todos os museus, teatros e cinemas em todo o território até 3 de abril, para combater a propagação do novo coronavírus, de acordo com um despacho divulgado esta madrugada.

Além destas medidas, o despacho determina o encerramento de "pubs", salas de jogos, escolas de dança, discotecas e outros locais semelhantes.

O número de pessoas infetadas em todo o Mundo pelo Covid-19 aumentou para 105.836, das quais morreram 3595, de acordo com um balanço feito pela AFP este domingo. Citando fontes oficiais de vários países, a agência acrescenta que foram registadas mais 933 infeções e 39 mortes, em comparação com o último balanço feito, às 17 horas de sábado.

Os países mais afetados depois da China são a Coreia do Sul (7134 casos, incluindo 367 novos e 48 mortes), Itália (5883 casos, nenhum novo e 233 mortes), Irão (5823 casos, nenhum novo e 145 mortes), França (949 casos, incluindo 233 novos e 16 mortes).

Em Portugal, há 25 casos de infeção com o Covid-19. Foram anunciados, este domingo, quatro novos casos: três mulheres e um homem e estão todos internados no Hospital de S. João, no Porto, com ligação a outro doente.

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