
Em 2024, um tribunal de recurso suíço considerou Ramadan culpado de violar uma mulher num hotel de Genebra, em 2008
Foto: Irfan kottaparamban / Wikimedia
O académico suíço e especialista do Islão, Tariq Ramadan, é julgado em Paris esta segunda-feira, acusado de violar três mulheres em França entre 2009 e 2016. O antigo professor da Universidade de Oxford e conselheiro do governo britânico pode enfrentar até 20 anos de prisão se for condenado.
Ramadan, que assessorou os anteriores governos britânicos em questões do Islão e sociedade, nega todas as acusações num caso considerado um dos maiores desenvolvimentos do movimento #MeToo em França, segundo o jornal britânico "The Guardian".
O académico, de 63 anos, era professor de estudos islâmicos contemporâneos na Universidade de Oxford antes de se afastar do cargo em 2017, quando foram feitas as primeiras acusações de violação. Aposentou-se antecipadamente de Oxford em junho de 2021..
É acusado de violar três mulheres. Se for condenado, pode enfrentar até 20 anos de prisão.
Em 2017, Henda Ayari, de 41 anos, acusou Ramadan de violação, violência sexual, assédio e intimidação. Às autoridades, disse que o académico a violou num quarto de hotel na zona leste de Paris, na primavera de 2012, durante uma conferência na qual era orador.
Uma outra mulher, conhecida pelo pseudónimo de Christelle, relatou aos investigadores que Ramadan a violou num quarto de hotel em Lyon, em outubro de 2009, durante outra conferência, e atacou-a violentamente. Uma terceira mulher disse que Ramadan a violou em 2016.
No início da investigação, em 2017, Ramadan, casado e pai de quatro filhos, negou qualquer tipo de relação sexual com as duas primeiras mulheres. Em 2018, mudou a sua versão, declarando aos juízes responsáveis pela investigação que teve relações sexuais com Ayari e Christelle, mas que estas tinham procurado os encontros e consentido plenamente na relação de "dominação e submissão".
A queixa da terceira mulher foi acrescentada à investigação posteriormente.
Em 2024, um tribunal de recurso suíço considerou Ramadan culpado de violar uma mulher num hotel de Genebra, em 2008, e condenou-o a três anos de prisão, com dois anos de pena suspensa. O Supremo Tribunal da Suíça confirmou a condenação numa decisão proferida no ano passado. A equipa jurídica suíça do Ramadão anunciou que vai levar o caso ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.

