
Tariq Ramadan acusado de violação por duas mulheres
Stephane Mahe/Reuters
O Ministério Público de Paris pediu a prisão preventiva para o académico muçulmano suíço Tariq Ramadan, acusado de violação por duas mulheres em outubro último.
O processo do professor de Estudos Árabes e Islâmicos em Oxford, de 55 anos, foi esta sexta-feira avaliado no Ministério Público da capital francesa, segundo fontes judiciais citadas pela agência France Presse (AFP), que precisaram que foi iniciada uma investigação judicial por violação e violência sobre pessoa vulnerável e que a acusação pediu a prisão preventiva para Tariq Ramadan.
Na quarta-feira, o filósofo e escritor, figura bastante influente no meio muçulmano, foi colocado sob custódia policial, no âmbito deste processo.
Três juízes foram designados para o processo de Tariq Ramadan, decisão que pode ser um indicador da complexidade do caso ou da amplitude das investigações que vão ser iniciadas.
Em outubro passado, a justiça francesa abriu um inquérito preliminar após duas mulheres de nacionalidade suíça terem apresentado queixa contra Tariq Ramadan. Outras mulheres anunciaram posteriormente que estavam a ponderar também apresentar queixa.
A primeira mulher a denunciar o académico, a 20 de outubro, foi a ativista e autora Henda Ayari, que contou a diversos meios de comunicação social franceses como foi "vítima de uma grave agressão sexual" por parte de Tariq Ramadan em março de 2012 em Paris.
"Para ele, estás com ele ou és violada", disse então Henda Ayari, de 40 anos, depois de explicar que os acontecimentos que relatou aconteceram num hotel, depois de contactos com o pensador através das redes sociais.
Nos últimos contactos mantidos com Tariq Ramadan, que começaram em 2010, o pensador censurou a ativista por publicar uma fotografia na rede social Facebook em que aparecia sem o véu islâmico e com maquilhagem.
Segundo Henda Ayari, o académico muçulmano afirmou na altura que a renúncia do véu a tornava responsável pelas consequências e que, por essa razão, "tinha o que merecia".
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Por medo das ameaças alegadamente feitas pelo académico, a ativista preferiu durante vários anos não apresentar queixa. Posição que reconsiderou perante a recente vaga de denúncias em Hollywood contra várias figuras influentes e poderosas do meio cinematográfico norte-americano, como o produtor Harvey Weinstein, e do movimento das vítimas de assédio sexual "#MeToo" que abrange outros sectores da sociedade norte-americana.
A segunda mulher que denunciou o académico preferiu permanecer no anonimato, mas referiu que os acontecimentos remontam a 2009.
De acordo com o testemunho da mulher de 45 anos, publicado pelos jornais franceses "Le Monde" e "Le Parisien", o caso tem muitas semelhanças com a situação de Henda Ayari: as alegadas agressões ocorreram no hotel Hilton de Lyon, onde o académico a tinha convidado para falar.
Perante as declarações das duas alegadas vítimas, Tariq Ramadan denunciou o que qualificou como uma "campanha de calúnias", promovida pelos seus "inimigos de sempre".
Islamólogo e filósofo, Tariq Ramadan é neto de Hassan al-Banna, o fundador da Irmandade Muçulmana no Egito.
