
DAMIR SAGOLJ / Reuters
O Governo da Malásia desmentiu um relatório publicado por um jornal norte-americano, segundo o qual o Boeing 777-200 da Malaysia Airlines continuou a voar durante mais quatro horas após ter desaparecido dos radares, no passado sábado.
O ministro da Defesa da Malásia, Hishammuddin Hussein, disse já, esta quinta-feira, que o relatório citado pelo WSJ não é preciso. "No que diz respeito à Rolls Royce e à Boeing, o relatório é inexato. "A última transmissão do avião foi feita pelas 1.30 (hora local) e indicava que estava tudo normal".
O Wall Street Journal (WSJ) cita fontes "familiarizadas com a investigação", segundo as quais os dados enviados automaticamente pelos motores do avião para um servidor da Rolls Royce sugerem que o Boeing 777 terá voado um total de cinco horas, o que significa que terá feito milhares de quilómetros após o último contacto conhecido, feito uma hora depois ter descolado de Kuala Lumpur com destino e Pequim.
"Responsáveis norte-americanos pelo contra-terrorismo exploram a pista segundo a qual o piloto ou outra pessoa a bordo poderá ter desviado o avião para uma localização secreta, depois de ter cortado intencionalmente o transceptor", escreve, ainda, o WSJ, citando um investigador americano encarregue do caso.
O motor Trent 800 foi construído pela a Rolls Royce, que mantém um procedimento de segurança que regista os dados enviados pelos aparelhos em voo. A empresa ainda não comentou a notícia, mas uma outra fonte da companhia aérea explicou ao The New York Times que geralmente os aviões não enviam dados em contínuo para a empresa construtora. A informação é só enviada na descolagem, na aterragem e possivelmente quando o avião estabiliza na velocidade e a altitude cruzeiro.
Ainda assim, aquele que é já considerado o maior mistério da aviação moderna presta-se a especulações. Com base nos dados do WSJ, especula-se, agora, para onde poderá ter voado o avião, com 239 pessoas a bordo.
O jornal inglês "The Guardian" escreve que o voo MH370 pode ter voado para Broome, no oeste da Austrália, ou para qualquer outro local na Índia, na China ou para um outro país.
Um Boeing 777-200 tem uma velocidade cruzeiro de 897 km/h o que faz com que o avião desaparecido possa ter percorrido, em quatro horas, um distância de 3588 quilómetros.
Em teoria, o aparelho pode ter aterrado na Austrália, na Índia, na China ou para algum país dentro de um raio de 3588 quilómetros. Ou pode ter-se despenhado em algum ponto do globo no raio de ação que poderia atingir em quatro horas de voo.
O avião da Malaysia Airlines partiu, na madrugada de sábado, de Kuala Lumpur rumo a Pequim, onde deveria ter aterrado cerca de seis horas depois. Ao fim de seis dias, continua sem haver pistas de onde terá estado.
As operações para localizar o Boeing 777 da Malaysia Airlines foram estendidas, na quinta-feira, ao mar de Andaman, a centenas de quilómetros a noroeste do perímetro de busca inicial, anunciou, esta quarta-feira, fonte oficial malaia.
As autoridades decidiram alargar o perímetro das buscas depois de registos do radar terem levantado a "possibilidade" de o avião ter mudado o curso da sua trajetória de voo sobre o Mar do Sul da China.
