
Agente de segurança talibã inspeciona um veículo num posto de controlo em Cabul, no Afeganistão, no dia de confrontos fronteiriços com o Paquistão
Foto: Samiullah Popal / EPA
O Afeganistão atacou as forças paquistanesas na quinta-feira e afirmou que as suas tropas mataram e capturaram dezenas de soldados, alegações negadas pelo Governo em Islamabade.
A ofensiva em vários pontos ao longo da fronteira surge após uma série de confrontos fronteiriços e ataques paquistaneses contra o Afeganistão nos últimos meses.
"Em resposta às repetidas violações por parte dos militares paquistaneses, foram lançadas operações ofensivas em grande escala contra bases e instalações militares paquistanesas", disse o porta-voz do Governo dos talibãs, Zabihullah Mujahid.
O gabinete do governador e os residentes da província afegã de Kunar disseram à agência France-Presse (AFP) que a ação militar estava em curso, enquanto as autoridades afegãs afirmaram que as forças armadas estavam a operar em várias outras províncias.
O Paquistão disse que o ataque estava "a ser respondido de forma imediata e eficaz". O Afeganistão "abriu fogo sem provocação em vários locais" do outro lado da fronteira, na província paquistanesa de Khyber Pakhtunkhwa, informou o Ministério da Informação de Islamabade.
O porta-voz do Governo talibã disse à AFP que as forças afegãs capturaram mais de 15 postos avançados paquistaneses em duas horas. "Dezenas de soldados [paquistaneses] foram mortos e transferimos 10 corpos para Kunar e outras áreas. Há também vários feridos e capturados vivos", disse Mujahid.
No entanto, um porta-voz de Shehbaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão, afirmou que "nenhum posto paquistanês foi capturado ou danificado", acrescentando que as suas forças "infligiram pesadas baixas" do outro lado da fronteira em retaliação.
O Afeganistão não reportou imediatamente baixas no seu lado da fronteira.
Meses de violência na fronteira
A operação militar surge após os ataques paquistaneses nas províncias de Nangarhar e Paktika, entre a noite de terça-feira e domingo, que, segundo a missão da ONU no Afeganistão, mataram pelo menos 13 civis. O Governo talibã afirmou que pelo menos 18 pessoas foram mortas e negou o anúncio do Paquistão de que a operação militar fez mais de 80 militantes mortos.
Ambos os lados também relataram troca de tiros na fronteira na terça-feira, mas sem baixas.
As relações entre os vizinhos deterioraram-se drasticamente nos últimos meses, com as passagens fronteiriças terrestres praticamente fechadas desde os violentos combates de outubro, que fizeram mais de 70 mortos de ambos os lados.
Várias rondas de negociações seguiram-se a um cessar-fogo inicial mediado pelo Catar e pela Turquia, mas os esforços não conseguiram produzir um acordo duradouro. A Arábia Saudita interveio este mês, mediando a libertação de três soldados paquistaneses capturados pelo Afeganistão em outubro.
Islamabade acusa o Afeganistão de não agir contra os grupos militantes que realizam ataques no Paquistão, o que o Governo talibã nega.
O Exército paquistanês lançou os seus ataques aéreos contra o Afeganistão há dias, após uma série de atentados suicidas mortais. Entre eles, um ataque a uma mesquita xiita em Islamabade, que matou pelo menos 40 pessoas e foi reivindicado pelo grupo autointitulado Estado Islâmico.
O braço regional do grupo militante, o Estado Islâmico-Khorasan, também reivindicou um atentado suicida mortal num restaurante em Cabul, no mês passado.
