
Foto: Samiullah Popel/EPA
Uma fonte de segurança talibã negou, este domingo, que os ataques do Paquistão na fronteira com o Afeganistão tenham provocado 80 mortos, como alegou Islamabade, afirmando que o número de vítimas "é falso".
"O número de 80 mártires divulgado pelo regime paquistanês é falso e imaginário", disse a fonte de segurança, sob anonimato, citada pela agência France-Presse (AFP).
A agência noticiosa francesa informou que os seus jornalistas no Afeganistão não conseguiram verificar o número de mortos divulgado pelo Paquistão, enquanto as autoridades afegãs indicaram que pelo menos 18 pessoas, incluindo crianças, foram mortas nos ataques.
Uma fonte de segurança do Paquistão disse hoje que mais de 80 pessoas morreram nos ataques aéreos paquistaneses realizados no Afeganistão.
Os ataques visaram grupos rebeldes paquistaneses baseados no Afeganistão, em resposta a recentes atentados suicidas no Paquistão, acrescentou a mesma fonte, citada pela AFP, que pediu para não ser identificada.
O Governo afegão anunciou durante a noite que dezenas de pessoas morreram ou ficaram feridas em ataques aéreos do Paquistão, contra sete alegados campos de terroristas.
O porta-voz do Governo talibã de Cabul, Zabihullah Mujahid, disse que os ataques atingiram habitações e uma escola islâmica, sendo a maioria das vítimas civis.
Horas antes, o Paquistão anunciou que tinha realizado ataques junto à fronteira com o Afeganistão visando esconderijos de rebeldes paquistaneses, que Islamabade responsabilizou pelos recentes ataques dentro do país.
O ministro da Informação paquistanês, Attaullah Tarar, indicou, numa publicação nas redes sociais, que as forças armadas conduziram "operações seletivas baseadas em informações" contra sete campos pertencentes aos talibãs paquistaneses, também conhecidos como Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), e afiliados.
O governante paquistanês disse que um grupo afiliado do movimento fundamentalista Estado Islâmico também foi alvo de ataques na região fronteiriça.
Zabihullah Mujahid afirmou, na rede social X (antigo Twitter), que o Paquistão "bombardeou civis nas províncias de Nangarhar e Paktika" (leste), "matando dezenas e ferindo, incluindo mulheres e crianças".
O Ministério da Defesa afegão declarou que "dará uma resposta adequada e calculada" aos ataques aéreos paquistaneses.
Aliados de longa data, o Paquistão e o Afeganistão têm entrado em confronto esporadicamente desde que os talibãs assumiram o controlo de Cabul, em 2021.
Islamabade acusa o seu vizinho de abrigar rebeldes armados que lançam ataques no seu território, acusação que o Governo afegão nega. As relações deterioraram-se acentuadamente nos últimos meses, culminando num confronto armado sem precedentes em meados de outubro.
Segundo Islamabade, os atentados anunciados na manhã de domingo foram ordenados após vários ataques recentes no noroeste, bem como um atentado suicida que matou 40 pessoas em 06 de fevereiro durante orações numa mesquita xiita em Islamabade.
Este último ataque, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico, foi o mais mortífero em Islamabade desde um atentado em 2008 (60 mortos).
