Agência da ONU pede resposta internacional à demolição da sua sede em Jerusalém Oriental

Porta-voz da UNRWA fala num "ataque sem precedentes" a um complexo da ONU, que Israel "destruiu e expropriou"
Foto: Atef Safadi/EPA
A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinianos (UNRWA, na sigla em inglês) pediu esta sexta-feira à comunidade internacional para que tome medidas que respondam à demolição, por parte de Israel, da sua sede em Jerusalém Oriental.
O porta-voz da organização, Jonathan Fowler, manifestou gratidão pelas condenações assumidas por líderes e governos de todo o mundo, mas sublinhou a necessidade de serem tomadas ações concretas para impedir "este tipo de atos", tanto por parte das autoridades israelitas como de outros Estados.
Israel demoliu na terça-feira edifícios do complexo da UNRWA, em Jerusalém Oriental, alegando que a sede não tinha imunidade e que a demolição foi realizada de acordo com as "leis israelitas e internacionais".
As autoridades israelitas acusam os responsáveis da agência de ter participado no ataque do grupo islamita Hamas, a 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra na Faixa de Gaza.
A condenação internacional deve servir para "chamar a atenção para as autoridades israelitas, desde o nível municipal até ao governo nacional", admitiu o porta-voz da agência das Nações Unidas, sublinhando, no entanto, serem precisas outras medidas.
"Os Estados-membros da ONU têm muitas ferramentas diferentes à sua disposição para influenciar a posição de outros países. Não me cabe a mim dizer quais são essas ferramentas (...), isso é algo que têm de decidir e anunciar", observou Fowler, em declarações feitas em Amã, na Jordânia.
Israel "destruiu e expropriou"
O porta-voz da UNRWA enfatizou as repercussões globais deste "ataque sem precedentes" de Israel a um complexo da ONU, que o "destruiu e expropriou" e rejeitou as alegações das autoridades israelitas de que o terreno onde se situa a sede da agência lhes pertence. "O Governo israelita não tem direitos sobre esta terra", afirmou.
O representante da agência da ONU expressou também preocupação de que isto "constitua um precedente" para outras ações semelhantes e disse temer a tomada do centro de formação da agência situado em Jerusalém, onde 350 estudantes - jovens de baixos rendimentos de toda a Cisjordânia - são formados em profissões nas áreas da canalização, eletricidade, engenharia automóvel e manutenção de máquinas agrícolas.
"As autoridades israelitas já anunciaram várias vezes a intenção de expropriar o terreno para construir ali colonatos. (...) Sofremos ataques com gás lacrimogéneo e de outros tipos", revelou.
Fowler observou ainda que a UNRWA é a maior agência da ONU que opera em Gaza e é também um fornecedor direto de serviços públicos essenciais, especificamente de educação e de saúde.
Além disso, salientou que, apesar de necessitar de 880 milhões de dólares (750 milhões de euros) para as suas operações anuais, a organização apenas garantiu cerca de 570 milhões de dólares (490 milhões de euros) até agora, o que a obrigou a reduzir os seus serviços em 20%.
