Investigadora da ONU afirma que se Israel mata jornalistas "é porque tem algo a esconder"

Desde o início da guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel a 7 de outubro de 2023, mais de 220 jornalistas foram mortos por Israel
Foto: AFP
A investigadora da ONU Florence Mumba criticou esta quinta-feira os ataques que, na véspera, causaram a morte de três fotojornalistas em Gaza, afirmando que, quando um interveniente num conflito mata repórteres, "é porque tem algo a esconder".
"Sem jornalistas, muitas pessoas em todo o mundo ignorariam o que está a acontecer, pelo que estes ataques ao seu trabalho preocupam-nos e, enquanto comissão de inquérito, esperamos que essa atividade não seja limitada", afirmou a juíza zambiana e novo membro da Comissão de Inquérito da ONU para a Palestina.
Florence Mumba falava numa conferência de imprensa em que foram apresentados os novos membros do grupo de peritos. A comissão, até 2025 presidida pela prestigiada juíza sul-africana Navi Pillay, concluiu no ano passado, num dos últimos relatórios, que Israel cometeu um genocídio na Faixa de Gaza, embora líderes mundiais e agências das Nações Unidas tenham optado por não fazer publicamente essa acusação direta.
"Somos uma equipa de investigação, não uma instância judicial, chegamos a conclusões e não somos dogmáticos, mas esperamos que o nosso trabalho ajude", afirmou, a este respeito, na mesma conferência de imprensa, o novo presidente em substituição de Pillay, o juiz indiano Srinivasan Muralidhar, que também não mencionou a palavra "genocídio" na intervenção.
Acompanham Muralidhar e Mumba - esta com ampla experiência internacional em tribunais sobre crimes cometidos na antiga Jugoslávia, no Ruanda e no Camboja - o advogado de direitos humanos australiano Chris Sidoti, o único que se mantém relativamente à composição de 2025.
Muralidhar prometeu dar continuidade às investigações sobre todas as violações dos direitos humanos, tanto em Israel como na Palestina.
Questionado sobre o Conselho de Paz para Gaza, apresentado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, em Davos (Suíça), o novo líder da comissão manifestou confiança de que a nova instituição não afetará o trabalho das Nações Unidas, incluindo o desenvolvido por estes investigadores.
"A Comissão de Paz faz parte de um plano apresentado, votado e aceite no Conselho de Segurança da ONU", sublinhou, expressando igualmente a esperança de que, nesta nova fase do plano de paz, exista uma maior colaboração israelita com a comissão, permitindo-lhes aceder a Gaza, algo que antecessores não conseguiram.
A organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras (RSF) denunciou que as forças israelitas mataram pelo menos 29 jornalistas palestinianos na Faixa de Gaza entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025.
Desde o início da guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas a Israel a 7 de outubro de 2023, mais de 220 jornalistas foram mortos por Israel, tornando o território palestiniano, de longe, o local mais mortal do mundo para a imprensa neste período, afirmaram os RSF.
