
Ursula von der Leyen na chegada à reunião em Paris
Foto: Yoan Valat / POOL / EPA
Os EUA deverão fiscalizar o cessar-fogo na Ucrânia e apoiar uma força multinacional europeia em caso de ataque russo, defendem num projeto de declaração os aliados europeus de Kiev esta terça-feira reunidos em Paris.
De acordo com a minuta da declaração conjunta, divulgada pela agência de notícias francesa AFP, os aliados da Ucrânia estão prontos para dar garantias de segurança "juridicamente vinculativas".
Os países que apoiam Kiev, um grupo conhecido como a Coligação dos Voluntários, estão reunidos em Paris para debater "garantias de segurança sólidas" para a Ucrânia, consideradas fundamentais para uma paz duradoura.
"Os parceiros da coligação e os EUA desempenharão um papel vital, em estreita coordenação, no fornecimento das garantias de segurança", referiram os cerca de 30 líderes, reunidos no Palácio do Eliseu, no projeto de declaração.
De acordo com o texto, aquela coligação, composta sobretudo por aliados europeus de Kiev, conseguiu um compromisso dos EUA de que apoiará a futura força multinacional após um potencial cessar-fogo da Rússia e "está pronta" para fornecer "garantias políticas e juridicamente vinculativas, que serão ativadas quando um cessar-fogo entrar em vigor" com a Rússia.
O texto adianta que a força multinacional será ativada assim que o cessar-fogo entrar em vigor, não para fiscalizar a trégua, mas para "apoiar a reconstrução das forças armadas da Ucrânia e reforçar a dissuasão" de novos ataques russos.
Esta força será "liderada pelos europeus", mas com "participação norte-americana", particularmente em termos de informações e logística, e haverá "um compromisso dos EUA de apoiar a força em caso de ataque", refere a minuta.
A reunião juntou à mesa líderes europeus, enviados norte-americanos e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Fontes diplomáticas, citadas pela AFP, alertaram que a declaração final pode ser ligeiramente diferente do que foi avançado na minuta.
Não é ainda claro se os enviados norte-americanos - Steve Witkoff e Jared Kushner - concordaram assinar a declaração ou se será um documento assumido apenas pela coligação, da qual os EUA não são um membro formal.
O texto adianta ainda que, em caso de cessar-fogo, um "mecanismo de verificação" será supervisionado pelos norte-americanos, "com participação" dos membros da coligação, estando a ser preparada a criação de uma "célula de coordenação".
Além disso, "a coligação, com o apoio dos EUA", comprometer-se-á a "continuar a prestar assistência militar e armamento essencial a longo prazo" ao exército ucraniano, "que continuará a ser a primeira linha de defesa e dissuasão".
Numa mensagem publicada nas redes sociais pouco antes do início da reunião, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, garantiu que a UE "apoiará a Ucrânia em todas as etapas para garantir a sua soberania, segurança e prosperidade".
Em Paris, reafirmarão o apoio à Ucrânia e avançarão "nas contribuições para alcançar garantias de segurança sólidas", escreveu.
A reunião conta com a participação dos EUA e do Canadá, para consolidar "a convergência" entre europeus, ucranianos e norte-americanos sobre as garantias de segurança da Ucrânia, incluindo as que serão dadas caso a Rússia viole um potencial cessar-fogo e retome a guerra.
