
A acusação afirma que Maduro "comete atos flagrantes de terrorismo contra os cidadãos dos Estados Unidos"
Foto: Jane Rosenberg/AFP
Cidadãos norte-americanos reativaram em Miami um processo contra o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, após a sua captura, e a sua vice-presidente e agora mandatária interina, Delcy Rodríguez, que acusam de sequestro, tortura e terrorismo.
Os reclamantes, incluindo pessoas sequestradas na Venezuela e duas menores de idade, apresentaram, este fim de semana, uma moção ao Tribunal do Distrito Sul da Florida, para que este declare o incumprimento por parte dos acusados por não responderem à ação apresentada a 14 de agosto de 2025, segundo documentos judiciais disponibilizados hoje.
O recurso, atribuído ao juiz Darrin P. Gayles, acusa os líderes de violar a Lei Federal Antiterrorismo (ATA, em inglês), a Lei Antiterrorismo da Flórida e a Lei de Organizações Corruptas e Influenciadas pelo Crime Organizado (RICO).
Além de Maduro e Rodríguez, o processo acusa também o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab; o ministro do Interior, Diosdado Cabello; ao ex-presidente do Tribunal Supremo de Justiça Maikel Moreno, e o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez.
Também refere a empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) e o ex-ministro de Energia Elétrica Néstor Reverol.
A acusação afirma que Maduro "comete atos flagrantes de terrorismo contra os cidadãos dos Estados Unidos" e cita a acusação contra o governante em Nova Iorque, onde o presidente e a sua esposa, Cilia Flores, compareceram hoje, pela primeira vez, após a sua detenção no sábado.
O processo sustenta que os queixosos "foram mantidos cativos por Maduro" com "apoio material ilegal" dos outros acusados, que identifica como membros do Cartel dos Sóis, um grupo considerado terrorista pelos Estados Unidos no ano passado.
A defesa dos queixosos reativou o recurso, com o argumento que os acusados não responderam dentro do prazo estabelecido, o que justifica uma "moção por incumprimento ou não comparência".
O facto veio a público algumas horas depois da primeira aparição de Maduro e Flores hoje perante o tribunal de Nova Iorque, após a sua detenção no sábado numa operação das forças norte-americanas em Caracas, onde agora tomou posse Delcy Rodríguez como presidente interina.
Maduro declarou-se um "prisioneiro de guerra" e "inocente" das acusações de conspiração por terrorismo ligado ao narcotráfico, conspiração para importar cocaína, conspiração para a posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para utilizar essas armas.
A segunda sessão do julgamento de Maduro e da sua esposa, em Nova Iorque, será a 17 de março, enquanto em Miami ainda não há detalhes sobre o andamento do caso.
