Ano jubilar de dois Papas concluiu trabalho de Francisco e abre caminho a Leão XIV

Papa Leão XIV durante o encerramento do Jubileu da Esperança
Foto: EPA
Representantes da Igreja Católica portuguesa saudaram, esta terça-feira, o Jubileu da Esperança, uma iniciativa do Papa Francisco que foi encerrada por Leão XIV.
O ano santo, sob o tema "Peregrinos de Esperança", teve início a 24 de dezembro de 2024, quando Francisco abriu a Porta Santa da Basílica de São Pedro.
Em abril de 2025, a morte de Francisco alterou a tradição e o Papa que encerra das celebrações é o antigo cardeal Robert Francis Prevost, agora Leão XIV, que fecha, esta terça-feira, a mesma porta.
Para o Vaticano, o ano santo é uma tradição secular de fiéis que peregrinam a Roma de 25 em 25 anos para visitar os túmulos de São Pedro e São Paulo e receber indulgências para o perdão dos seus pecados, caso passem uma das várias portas santas abertas nas dioceses.
O Vaticano anunciou que participaram 33.475.369 peregrinos, com a Itália, os Estados Unidos e a Espanha as nacionalidades mais representadas.
Numa mensagem enviada à Lusa, o patriarca de Lisboa defende que a esperança, tema das celebrações, "nasce do sentir-se parte de um todo" e que só a tolerância poderá ajudar os crentes e os não-crentes no combate à solidão, causada pelo isolamento.
"A Europa só voltará a ser uma terra de esperança se for capaz de ser um verdadeiro convívio de nações. E Portugal só será uma terra de esperança na medida em que não deixe ninguém para trás", afirmou à Lusa Rui Valério, que evoca os emigrantes portugueses dos anos 1960 como um exemplo dessa relação partilhada.
"A viagem era dura, a vida difícil, mas, quando regressavam e falavam do que tinham vivido, (...) aquilo que mais os sustentava não era a ausência de problemas, mas o sentimento de não estarem sozinhos", mas sim acompanhado "por outros, pela família, por uma comunidade, por uma pertença", recordou o patriarca de Lisboa.
Esta terça-feira, "Portugal será uma terra de esperança na medida em que souber ser companheiro e aceitar ser acompanhado", porque esse sentimento "cresce onde há relação, partilha, responsabilidade mútua", acrescentou.
Rui Valério recordou que o "jubileu não foi o encerramento de um ciclo, mas o revigoramento de um caminho" que ajuda a "tomar maior consciência de algo essencial: sozinhos não nos salvamos, sozinhos não construímos nada de verdadeiramente duradouro".
Por isso, o ano jubilar foi uma oportunidade "para aprofundar um verdadeiro sentido de cidadania integral, não apenas no plano social ou político, mas na promoção da dignidade da pessoa humana em todas as suas dimensões", salientou.
Por seu turno, o cardeal Américo Aguiar admitiu que o ano jubilar trouxe um "sentimento agridoce".
"O Papa Francisco colocou o mundo nesta Peregrinação de Esperança que todos cumprimos, com mais ou menor disponibilidade, com mais ou menor capacidades" e o "caminho foi feito a nível das paróquias, das vigariarias, das dioceses e o mundo, mais ou menos com possibilidades diversas, da cultura, dos artistas, do desporto, da política, dos reclusos, dos jovens ou dos mais velhos", considerou.
Contudo, a morte de um Papa e a eleição de um outro no mesmo ano santo, mostrou uma "imagem ainda mais sublinhada de que somos todos protagonistas provisórios do caminho que fazemos como igreja".
"Nós somos pontualmente protagonistas e também este infeliz acontecimento da morte do Papa Francisco ensinou-nos que a seguir a Francisco vem Leão XIV. E antes de Francisco tivemos Bento XVI e a vida assim continua, porque nós não somos os protagonistas, o protagonista é Cristo e é o Evangelho", concluiu.
