
Começam a conhecer-se as histórias de vida de algumas das 239 pessoas que viajavam no avião desaparecido da Malaysia Airlines. Adolescentes apaixonados, casais a concretizar a sua viagem de sonho, famílias que iriam reencontrar-se.
Hadrien Watrellos, de 17 anos, estava a bordo do voo MH370 com Zhao Yan, de 18. Ambos franceses. Pelas imagens e comentários que publicavam no Facebook, eram namorados e apaixonados. Estudavam no Liceu Francês Internacional de Pequim e estavam na Malásia a passar férias. Viajavam com a mãe e a irmã de Hadrien, Laurence Watrelos, de 52 anos, e Ambre Watrelos, de 14.
Gu Naijun e Li Yuan, de 31 e 33 anos, iam ao encontro das suas duas filhas, as suas "princesas", como se referiam a elas. Casaram em Sidney, Austrália, onde nasceram também as filhas, e aí tentaram vingar um negócio próprio. O projeto acabaria por não correr bem e estavam de regresso a Pequim. As filhas tinham voltando antes, num outro voo.
Mohammad Sofuan Ibrahim, de 33 anos, viajava em trabalho. Publicou uma fotografia sua numa rede social antes de embarcar, com a mãe, e já a bordo do avião. O secretário de Estado malaio da Economia tinha enviado Mohammad a Pequim para trabalhar no escritório internacional do Ministério do Comércio e da Indústria da Malásia.
Philip Woods, de 50 anos, norte-americano do Texas, trabalhava na IBM de Pequim. A família descreve-o como um homem de fé, honra e integridade. Iria, em breve, ser transferido para Kuala Lumpur.
Muktesh Mukherjee, de 42 anos, e Xiamo Bai, de 37, casal canadiano, viviam e trabalhavam em Pequim. Tinham deixado os dois filhos em casa para passarem umas férias no Vietname. Os amigos já os descreveram como um casal feliz.
Rodney e Mary Burrows, de 59 e 54 anos, australianos, sempre sonharam em conhecer a China quando se reformassem. Ao seu lado no avião, iam Cathy e Bob Lawton, casal com quem tinham planeado a viagem de uma vida.
Paul Weeks, engenheiro neozelandês de 36 anos, viajava em trabalho. Antes de embarcar, deu a aliança e o relógio à mulher. Queria que os desse aos filhos, caso lhe acontecesse algum infortúnio.
Liu Rusheng, de 76 anos, e a mulher Bao Yuanhua, de 63, seguiam também a bordo do Boing 777. Mestre em caligrafia, Rusheng tinha um amuleto com uma frase inscrita: "Os céus protegem-me e por isso sou feliz".
Sobre o piloto do MH370, Zaharie Bin Shah, de 53 anos, sabe-se que tinha 20 anos e mais de 18 mil horas de experiência, avançou a Malaysia Airlines. Tinha três filhos. Os pilotos mais jovens viam-no como um mestre e era ele que, muitas vezes, decidia quem estava ou não pronto para voar. Zaharie Bin Shah mantinha um canal no Youtube, onde ensinava a consertar eletrodomésticos e outras tarefas de "bricolage".
O copiloto, Fariq Abdul Hamid, de 27 anos, costumava convidar os mais novos para visitar a cabina de pilotagem, onde, alegadamente, cometia irregularidades como fumar ou tirar fotografias.
A bordo viajavam 150 chineses, 50 malaios (12 dos quais faziam parte da tripulação), 12 indonésios, seis australianos, cinco indianos, quatro franceses, três norte-americanos, dois neozelandeses, canadianos, ucranianos, iranianos (estes dois com passaportes falsos), um russo, um holandês e um tailandês. Cinco eram crianças com idades entre os 2 e os 4 anos.
