
Desde o início de fevereiro que a Venezuela tem sido palco de um movimento de protesto estudantil contra as políticas de Nicólas Maduro
JUAN BARRETO/AFP
As autoridades venezuelanas detiveram 243 pessoas em Caracas e desmantelaram vários acampamentos de manifestantes, a maioria constituídos por estudantes, numa operação surpresa realizada na madrugada desta quinta-feira.
O ministro do Interior da Venezuela, Miguel Torres Rodriguez, disse à televisão estatal VTV que a "operação foi lançada às 03:00" a vários acampamentos.
O governante salientou que os acampamentos "abrigavam grupos violentos que cometem atos terroristas", como "incendiar carros de patrulha da polícia" e arremessar 'cocktails Molotov' contra as forças de segurança".
Um dos líderes dos grupos de estudantes, Juan Requesens, afirmou que "os companheiros" sofreram "uma emboscada", mas salientou que os jovens vão "prosseguir a luta pelos seus direitos".
Esta operação surpresa decorreu após o adiamento de mais uma reunião entre Governo e oposição e algumas horas depois de Leopoldo Lopez, dirigente do Partido Voluntário Popular, ter sido apresentado às instâncias judiciais.
A audiência de julgamento de Lopez, detido em meados de fevereiro, acusado de incitamento à violência, foi adiada para data a marcar.
"Hoje, a Justiça injusta escondeu-se. De que tem medo? Da verdade? Eles sabem que devo ser libertado", declarou Lopez, citado na página da rede social Twitter pelo seu partido, apelando à demissão do Governo.
Desde o início de fevereiro que a Venezuela tem sido palco de um movimento de protesto estudantil contra as políticas do Presidente socialista Nicólas Maduro, que sucedeu ao carismático Hugo Chávez, falecido em março de 2013.
A violência dos confrontos entre estudantes e outros manifestantes e as forças de segurança já provocaram 41 mortos e mais de 700 feridos, números oficiais.
Centenas de investigações estão em curso para apurar os alegados abusos por parte das forças de segurança.
Os últimos bastiões de resistência eram os acampamentos de tendas em Caracas, dos quais o principal situado em frente às instalações do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), destruído na madrugada de hoje.
"s 12:00 de hoje, grupos de jovens reuniram-se em pelo menos três pontos da capital venezuelana e num desses locais houve confrontos com forças de segurança, que dispersaram os manifestantes com gás e balas de borracha, conflito testemunhado por um jornalista da France Presse (AFP)
"O uso de força bruta para limitar a liberdade de expressão promove manifestações mais agressivas e torna o diálogo mais difícil", disse o cientista político Luis Vicente Leon à agência noticiosa AFP.
Uma sondagem do instituto Datanalisis revelou que seis em cada 10 venezuelanos estavam insatisfeitos com a gestão do Presidente Maduro.
Desde o início de abril, opositores do Governo e a oposição, a Mesa de Unidade Democrática, têm tentando um diálogo nacional sem precedentes com o Governo.
A reunião, hoje adiada, está previsto para a próxima quarta-feira.
