Cabo Verde nega surto de infeções gastrointestinais após morte de quatro turistas britânicos

Foto: Artur Machado
O Governo cabo-verdiano negou, esta segunda-feira, que haja um surto de infeções gastrointestinais na ilha do Sal, refutando notícias publicadas, no domingo, no Reino Unido, que associam a morte de quatro turistas britânicos a férias passadas na ilha.
"Não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto ativo de shigelose em Cabo Verde e os dados disponíveis não sustentam a interpretação apresentada na notícia", afirmou o ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, numa conferência de imprensa, na cidade da Praia.
O governante referiu que a informação pode causar "perceções alarmistas injustificadas" sobre os serviços de saúde em Cabo Verde e que os casos necessitam de investigação detalhada antes que se estabeleça qualquer associação às estadias.
Jorge Figueiredo referiu ainda que os episódios "representam, estatisticamente, ocorrência residual, sem evidência de padrão epidemiológico sustentado nem alteração do perfil sanitário nacional".
O ministro disse também que o país dispõe de um sistema de vigilância sanitária e epidemiológica sólido, reconhecido internacionalmente, que posiciona o país entre os mais seguros do continente africano.
Jorge Figueiredo referiu que, perante casos de diarreia detetados pela vigilância sanitária, no final de 2025, na ilha da Boa Vista, o Ministério acionou a Inspeção-Geral das Atividades Económicas (IGAE) e outras entidades, mas não foi estabelecida relação entre os casos e qualquer surto infeccioso.
Seja como for, passaram a realizar-se encontros semanais nas ilhas do Sal e Boa Vista para acompanhar a situação e recomendar medidas ao setor privado, sobretudo na segurança alimentar.
Segundo os artigos publicados no domingo, as famílias de quatro turistas britânicos associam as mortes, entre agosto e outubro de 2025, a infeções gastrointestinais contraídas na ilha do Sal e pretendem avançar com uma ação judicial contra o operador turístico TUI e a cadeia hoteleira RIU.
Os textos reúnem testemunhos de familiares e do advogado que os representa e foi replicado por diversos meios e divulgado nas redes sociais.
Um boletim do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC, sigla em inglês), publicada a 5 de dezembro, deu conta de relatos de shigelose entre viajantes que regressaram de Cabo Verde para a União Europeia, Reino Unidos e Estados Unidos desde setembro de 2022.
"No final de novembro de 2025, cinco países reportaram novos aumentos no número de casos infetados" e "as entrevistas aos casos afetados em 2025 indicam que está envolvida a mesma cadeia de hotéis e resorts" descrita em situações anteriores, lê-se no documento atualizado semanalmente.
"Este é um surto recorrente de doenças gastrointestinais, onde a causa subjacente da transmissão justifica uma investigação mais aprofundada para que possam ser implementadas medidas de mitigação para prevenir novos casos", terminou o boletim.
Questionado pela Lusa sobre esta nota da ECDC, o ministro da Saúde disse ter conhecimento do documento e reiterou a posição de ausência de qualquer surto ativo e de haver reforço de vigilância - remetendo para uma situação semelhante, há três anos, em que uma investigação descartou a ocorrência de um surto.
Face a alertas, entre setembro de 2022 e março de 2023, realizaram-se investigações independentes, cujos resultados "não permitiram confirmar a ocorrência de um surto de shigelose nos hotéis da cidade de Santa Maria, ilha do Sal", segundo as conclusões publicadas na altura.
O setor turístico é um motor da economia cabo-verdiana, que em 2024 registou quase um milhão de hóspedes, um recorde para o arquipélago.
