Capitão russo de cargueiro português condenado a seis anos de prisão por morte durante colisão

O cargueiro Solong, registado em Portugal, chocou com o petroleiro Stena Immaculate, que estava ancorado
Foto: Paul Ellis / AFP
O capitão russo de um cargueiro português foi condenado esta quinta-feira por um tribunal britânico a seis anos de prisão por ter causado a morte de um tripulante durante uma colisão perto da costa britânica.
A morte do tripulante filipino Mark Angelo Pernia, de 38 anos, "era totalmente evitável, e a culpa recai inteiramente" sobre Vladimir Motin, de 59 anos, declarou o juiz Andrew Baker.
O magistrado do Tribunal Criminal Central de Londres afirmou que Motine demonstrou uma "flagrante indiferença perante o risco extremamente elevado de morte", negligência na reação ao incêndio resultante do acidente, tendo mentido várias vezes durante o julgamento sobre os factos ocorridos naquele dia.
O acidente ocorreu na costa de Yorkshire, nordeste de Inglaterra, quando o cargueiro Solong, registado em Portugal, mas operado por uma empresa alemã, chocou com o petroleiro Stena Immaculate, que estava ancorado.
A colisão provocou explosões e um grande incêndio devido aos materiais altamente inflamáveis que ambos transportavam.
O navio comandado por Motin tinha uma tripulação de 14 marinheiros, de nacionalidade russa e filipina, e transportava bebidas alcoólicas e substâncias consideradas perigosas.
O capitão do Solong foi condenado por homicídio involuntário da única vítima mortal, cujo corpo nunca foi recuperado.
A defesa indicou que o arguido avistou o petroleiro quando se encontrava a uma distância de três milhas marítimas (5,5 km) e o Solong estava em piloto automático.
O advogado afirmou que Motin tentou desativar o dispositivo para alterar a trajetória e evitar a colisão, mas cometeu "um erro" ao premir o botão errado.
O capitão negou ter adormecido durante o serviço, acrescentando que nunca abandonou o posto na manhã do acidente.
