
O ex-presidente da Libéria Charles Taylor foi considerado "criminalmente responsável" por crimes de guerra e contra a humanidade durante a guerra civil na Serra Leoa (1991-2001), sendo o primeiro ex-chefe de Estado a ser condenado pela justiça internacional.
"A câmara considera que o acusado é penalmente responsável (...) de ter auxiliado e incitado a prática dos crimes 1 a 11 constantes no despacho de acusação", anunciou o juiz Richard Lussick Samoa durante uma audiência pública em Leidschendam, um subúrbio de Haia, perante o Tribunal Especial para Serra Leoa (TESL).
Por ter sido considerado culpado, já foi marcada uma nova audiência para 30 de maio para pronunciar a pena de Charles Taylor.
Os estatutos do tribunal não preveem a prisão perpétua, embora não estabeleçam um limite para a duração da pena.
Decidido está que, se for condenado a uma pena de prisão, Charles Taylor, de 64 anos, vai cumprir a sentença no Reino Unido. O ex-presidente declarou-se inocente e classificou o processo de "um logro".
Presidente da Libéria de 1997 a 2003, Charles Taylor foi acusado de ter criado e aplicado um plano para obter o controlo da Serra Leoa, através de uma campanha de terror, com o objetivo de explorar as reservas diamantíferas do país. Os crimes que lhe foram atribuídos terão sido cometidos entre 30 de novembro de 1996 e 18 de janeiro de 2002.
A acusação sustentou que Taylor armou os rebeldes da Frente Unida Revolucionária em troca dos designados "diamantes de sangue" extraídos ilegalmente. Terá ainda enviado forças armadas liberianas para combaterem ao lado daqueles rebeldes.
