
A campanha anticorrupção nas Forças Armadas tem sido uma das bandeiras da governação de Xi Jinping
Foto: Adek Berry/AFP
Três altos responsáveis militares foram expulsos do órgão máximo legislativo da China, parte da campanha anticorrupção que se tem intensificado nas fileiras do Exército de Libertação Popular, avançou a imprensa de Hong Kong.
Segundo o jornal "South China Morning Post", foram expulsos do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular o chefe do Comité de Assuntos Políticos e Legais da Comissão Militar Central (CMC), Wang Renhua, o comissário político da Polícia Armada do Povo, Zhang Hongbing, e o diretor do departamento de treino da CMC, Wang Peng.
A decisão surge após semanas de especulação sobre o paradeiro e a posição destes oficiais, ausentes de eventos militares relevantes desde julho, incluindo o aniversário das Forças Armadas e a quarta sessão plenária do Comité Central do Partido Comunista Chinês, realizada em outubro.
Apesar da expulsão do órgão legislativo nacional, os três continuam a figurar como membros do Comité Central do Partido, a mais alta estrutura de decisão política do país.
Wang Renhua, de 63 anos, foi promovido a almirante há menos de um ano pelo presidente chinês, Xi Jinping, e liderava as estruturas judiciais e disciplinares do Exército - tribunais, procuradorias e sistema prisional militar - tornando-se o terceiro principal responsável pela segurança militar após a reforma das Forças Armadas lançada em 2015.
A ascensão meteórica e queda abrupta de Wang ilustram a instabilidade na hierarquia militar chinesa e o endurecimento da política de tolerância zero face à corrupção.
O Ministério da Defesa chinês não comentou diretamente os afastamentos, mas observadores apontam que as expulsões refletem um abalo profundo na estrutura de comando e reforçam o controlo político sobre os setores estratégicos da Defesa.
A campanha anticorrupção nas Forças Armadas tem sido uma das bandeiras da governação de Xi Jinping e visou já dezenas de altos quadros nos últimos anos, incluindo comandantes da Força Aérea, Marinha e das forças nucleares.
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos publicou na semana passada o relatório anual sobre o poderio militar da China, no qual destaca que Pequim ampliou a definição de "interesse central" para incluir explicitamente Taiwan, bem como reivindicações territoriais no mar do Sul da China.
O relatório, submetido anualmente ao Congresso norte-americano desde 2000, também menciona as vendas militares da China ao Paquistão e à Rússia, a purga de líderes militares por corrupção e o avanço tecnológico das forças armadas chinesas, com ênfase na Inteligência Artificial.
Em resposta, um porta-voz da Defesa chinesa afirmou na quinta-feira que o documento deturpa a política nacional de defesa da China e procura "enganar a comunidade internacional" quanto à estratégia militar do país.
