Coluna humanitária "Nuestra América" envia barcos e aviões com ajuda humanitária para Cuba

A woman wearing leggings with the US flag stands in the street in Havana on February 26, 2026. Cuba will defend itself with "determination" against any "terrorist aggression" targeting its sovereignty, President Miguel Diaz-Canel said on February 26, a day after an exchange of gunfire between the occupants of a boat registered in Florida and Cuban coast guards. (Photo by YAMIL LAGE / AFP)
Foto: Yamil Lage / AFP
Uma coluna naval de ajuda humanitária que partirá para Cuba com doações para a ilha vai incluir barcos e aviões, disse esta quinta-feira à agência Lusa o diretor de comunicação da iniciativa, chamada "Comboio Nuestra América".
"Desde que lançámos o apelo inicial para organizar a ajuda de emergência a Cuba, temos sido inundados com apoio de pessoas de todo o mundo. Tomámos a decisão de expandir de uma única missão marítima, a flotilha, para um comboio global, que convergirá em Havana no dia 21 de março", disse James Schneider.
O responsável pela comunicação adiantou que os aviões e os barcos não vão chegar necessariamente todos no dia 21 de março.
"Ainda estamos a finalizar toda a logística", afirmou, precisando que alguns dias antes do dia oficial começarão a chegar alguns dos meios com ajuda humanitária.
A iniciativa ainda está a receber doações, pelo que Schneider explicou que pelas dificuldades a nível logístico não consegue ainda precisar quantos meios, entre barcos e aviões, serão necessários para disponibilizar essa ajuda ao povo cubano.
"Algumas doações são em espécie, outras são doações em dinheiro e outras são materiais para levar", explicou.
Questionado sobre se existiam receios entre os participantes de as embarcações e os aviões serem intercetados, como aconteceu em outubro de 2025 quando as autoridades israelitas intercetaram a flotilha Global Sumud que se dirigia com ajuda para a Faixa de Gaza, Schneider disse estar confiante que tal não vai acontecer.
"Seria uma ação absolutamente extraordinária por parte dos Estados Unidos impedir que cidadãos de boa consciência de todo o mundo levassem ajuda humanitária ao povo cubano através do território internacional e cubano. Penso que podemos estar confiantes na nossa capacidade de levar ajuda essencial ao povo cubano, mas também a mensagem de que não estão sozinhos enquanto estão sitiados", disse.
Alguns dos colaboradores do Comboio Nuestra América que estão em Cuba descreveram que a situação "é muito grave", adiantou o responsável de comunicação da iniciativa que surgiu da organização Internacional Progressista.
"Não há combustível suficiente para os camiões do lixo ou para a desinfestação: isso significa que as doenças transmitidas por mosquitos podem começar a espalhar-se, o lixo pode acumular-se nas ruas", disse.
"Imagine como o seu bairro lidaria com a situação se não tivesse energia durante dois meses. Todos os sistemas básicos precisam de ser reformulados. Não se pode usar carros, não se pode transportar mercadorias facilmente do campo para a cidade e vice-versa. Isso torna a vida extremamente difícil", acrescentou.
O diretor de comunicação avançou que várias entidades, "incluindo Estados", estão "diretamente envolvidos na iniciativa".
A ativista Greta Thunberg, que anunciou o seu apoio ao Comboio Nuestra América no início desta semana, não irá participar na travessia até Havana, adiantou Schneider.
O ativista político norte-americano David Adler, um dos organizadores deste comboio que também participou na flotilha Global Sumud, viajará até Havana.
A ilha caribenha enfrenta uma crise humanitária agravada pelo embargo norte-americano que impede o fornecimento de combustível.
Cuba dependia fortemente dos carregamentos de petróleo da Venezuela, que foram interrompidos quando os Estados Unidos lançaram uma operação militar em Caracas que terminou com a captura e detenção do líder venezuelano Nicolás Maduro.
Na quarta-feira o Governo norte-americano disse que o petróleo de origem venezuelana pode ser revendido e transportado para Cuba, desde que as transações não beneficiem o regime de Havana, mas sim "o povo" da ilha.
O departamento responsável pelas sanções económicas da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, indicou estar disposto a "implementar uma política de concessão de licenças" aos intervenientes que desejem vender a Cuba petróleo extraído na Venezuela, de acordo com um comunicado publicado no 'site' oficial.
