
Os militares guineenses anunciaram na quarta-feira ter tomado o poder
Foto: Patrick Meinhardt / AFP
O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros garantiu, esta quinta-feira, que a comunidade portuguesa na Guiné-Bissau "está perfeitamente calma", um dia depois de os militares terem tomado o poder naquele país africano.
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"Neste momento, a comunidade [portuguesa] está perfeitamente calma. Está a ser informada sobre toda a atualização que se pode fazer da situação e, portanto, não temos nenhuma situação (...) merecedora de nota ou de reparo até agora", indicou Paulo Rangel, questionado pelos jornalistas no parlamento.
"Evidentemente que a nossa embaixada está em contacto com toda a comunidade portuguesa, que anda à volta dos 770 portugueses, e (...) porventura mais 50 que estão transitoriamente [no país], com os quais, aliás, já se estava em contacto", explicou.
Rangel pediu "que não se use em caso nenhum a violência" e renovou o apelo, já feito pelo Governo português na quarta-feira logo que foi conhecida a situação, ao regresso da "normalidade constitucional", bem como à "contenção do uso da força e até nas detenções".
"Portugal, reitera, aliás, como outros membros da comunidade internacional - a começar pelas Nações Unidas, mas também, por exemplo, o Brasil, a União Europeia, também o fará -, que é fundamental que se regresse à normalidade constitucional. Portanto, há um apelo, eu diria (...) urgente, a que aqueles que neste momento detêm autoridade efetiva (...) que criem as condições para se regressar à normalidade constitucional", acrescentou.
O chefe da diplomacia portuguesa apelou ainda a que se retome o apuramento final dos resultados eleitorais.
Os militares guineenses anunciaram na quarta-feira ter tomado o poder, um dia antes da Comissão Nacional de Eleições da Guiné-Bissau anunciar o resultado das eleições gerais, realizadas no domingo.
O general Horta Inta-A foi hoje empossado presidente de transição da Guiné-Bissau, numa cerimónia que decorreu no Estado-Maior General das Forças Armadas guineense, um dia depois de os militares terem tomado o poder.
A informação está a ser veiculada nas redes sociais de meios de comunicação guineenses, nomeadamente a Televisão da Guiné-Bissau (TGB).
No dia seguinte à votação, na segunda-feira, o candidato da oposição Fernando Dias reclamou vitória na primeira volta contra o presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, que concorreu a um segundo mandato.
Desde a sua independência de Portugal, a Guiné-Bissau sofreu, com este, cinco golpes de Estado, 17 tentativas de golpe e uma série de mudanças de Governo.
