
José Ramón Saborido Loidi, embaixador de Cuba em Portugal
Foto: João Relvas / Lusa
O embaixador cubano em Lisboa afirmou esta quinta-feira que o país está a tomar medidas para amenizar os impactos no setor do Turismo devido ao embargo petrolífero de Washington e conta continuar as "relações excelentes" com as empresas hoteleiras portuguesas.
"Nós temos relações excelentes com as empresas hoteleiras. Cuba teve que aplicar agora medidas, evidentemente, para poder enfrentar esta situação", disse José Ramón Saborido Loidi em entrevista à Lusa.
Uma das medidas é a criação de "polos turísticos" para atender à "demanda turística" no país e garantir "um alto padrão de serviço".
Os polos serão "uma concentração da rede hoteleira" de modo a utilizar de forma eficaz os recursos disponíveis na ilha, adiantou o diplomata.
"Quando se tem pouco combustível, é preciso realmente procurar uma concentração para [garantir] o uso e o serviço ao turista", continuou José Loidi.
A qualidade de serviço "está garantida", defendeu o embaixador, que acrescentou que Cuba teve a oportunidade promover o seu turismo, a principal fonte de rendimento da ilha caribenha, na BTL - Better Tourism Lisbon Travel Market.
"Temos uma relação magnífica com as empresas hoteleiras aqui em Portugal que têm investimentos em Cuba e que participam connosco de forma destacada", garantiu, acrescentando que essas empresas têm trabalhado em conjunto com a ilha "na promoção do turismo".
Segundo o embaixador cubano, as relações de "entendimento e complementaridade" estendem-se também ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português e ao povo português no geral.
"Há muita solidariedade por parte do povo português, foram enviados contentores de produtos, a população está a recolher doações, há realmente uma simpatia geral do povo português para com o povo cubano e a sua defesa da sua conquista e da sua independência", acrescentou o embaixador de Cuba.
A embaixada cubana clarificou que parte da ajuda enviada de Portugal para a ilha provém de recolhas da Associação de Amizade Portugal-Cuba e também de cubanos residentes em Portugal.
Em janeiro, após a captura pelos EUA do líder venezuelano Nicolás Maduro, aliado de Havana, Cuba perdeu o acesso ao petróleo venezuelano e o presidente norte-americano, Donald Trump, ordenou a imposição de tarifas aos países que fornecem petróleo à ilha caribenha, agravando a pior crise económica e social que o país vive desde 1959.
A tensão entre os dois países tem aumentado desde o novo embargo petrolífero.
O Gabinete de Direitos Humanos da ONU assinalou que o bloqueio dos EUA viola a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, além de provocar o desmantelamento do sistema alimentar, sanitário e de abastecimento de água na ilha.
