
Pela primeira vez em quase 70 anos, a ilha comunista autorizou a importação de combustível por vias privadas
Foto: Yamil Lage / AFP
Vários negócios privados de Cuba realizaram as primeiras importações de combustível diante da escassez enfrentada pela ilha, provocada pelas pressões dos Estados Unidos, segundo confirmaram várias fontes à AFP esta segunda-feira.
Washington, que aplica um bloqueio energético a Havana, indicou na semana passada que autoriza a venda de petróleo e gás a Cuba, desde que as empresas garantam que o combustível será destinado a cidadãos e empresas do setor privado.
O proprietário de uma empresa privada cubana afirmou à AFP, sob anonimato, que realizou a primeira importação de um isotanque (recipiente usado para transportar combustível) a partir dos Estados Unidos.
O empresário, que atua na venda de alimentos, relatou que o isotanque chegou no fim da semana passada ao porto cubano de El Mariel, a cerca de 50 quilómetros a oeste de Havana, e já foi transportado até a capital para começar a ser usado.
Pela primeira vez em quase 70 anos, a ilha comunista autorizou a importação de combustível por vias privadas. "Sem combustível não podemos funcionar", afirmou o mesmo empresário.
Segundo Oniel Díaz, consultor do setor privado cubano, pelo menos um par de clientes da sua empresa também importou combustível para a ilha.
"Temos dois clientes que já executaram a importação de isotanques com combustível", disse Díaz, mas insistiu que isso não significa que todos os negócios privados possam recorrer a essa via para enfrentar a escassez de combustível, devido a desafios logísticos e financeiros.
A crise energética que Cuba já enfrentava agravou-se em janeiro, quando o presidente norte-americano, Donald Trump, bloqueou os envios de petróleo venezuelano para a ilha, após a captura de Nicolás Maduro.
Embora Washington tenha agora flexibilizado o veto às exportações de petróleo para Cuba, incluindo o venezuelano, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a ilha precisa de mudar "drasticamente" e responsabilizou os seus dirigentes pela crise económica e energética que a nação caribenha enfrenta.
Rubio advertiu, no entanto, que as sanções seriam restabelecidas se o petróleo acabar nas mãos de empresas controladas pelo Governo ou por instituições militares, que dominam a economia da ilha.
"Cuba precisa de mudar. Precisa de mudar drasticamente porque é a sua única oportunidade para melhorar a qualidade de vida do seu povo", disse Rubio à imprensa.
