
O presidente norte-americano Donald Trump
Foto: Aaron Schwartz/EPA
Um grupo de legisladores democratas pode boicotar o discurso sobre o Estado da União que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vai proferir na terça-feira perante o Congresso, avançou, esta quarta-feira, a imprensa norte-americana.
A intenção é tornar visível a oposição dos democratas às políticas económicas e sociais do republicano, publicou o jornal "The New York Times".
Vários membros da Câmara dos Representantes e do Senado, cujos nomes não foram avançados, estarão a analisar formas de contrariar a intervenção de Trump - o primeiro balanço do segundo mandato - sem gerar um ruído mediático que possa beneficiar o chefe de Estado norte-americano.
"Alguns democratas ponderam participar num comício paralelo intitulado "Estado da União do Povo", que deve realizar-se na terça-feira à mesma hora do discurso oficial de Trump, no parque National Mall, nas imediações do Capitólio", escreveu o diário norte-americano.
O "The New York Times" acrescentou que no evento devem marcar presença legisladores democratas, que vão dar a palavra a cidadãos afetados pelas políticas económicas e pelas decisões da Administração Trump no domínio da saúde.
Desconhece-se ainda quantos democratas vão boicotar a sessão no Congresso para participar no comício alternativo ou simplesmente faltar ao evento, sobretudo por se tratar de uma tradição de respeito institucional profundamente enraizada entre os políticos progressistas, que implica a presença nos discursos sobre o Estado da União mesmo quando manifestam oposição, ainda que alguns optem por sair antes do final.
Por isso, muitos defendem comparecer no Capitólio e permanecer em silêncio como forma de demonstrar rejeição, evitando, contudo, a imagem de um Trump aplaudido por uma audiência republicana e leal.
O discurso do presidente republicano ocorre num momento de elevada tensão política, marcado pela paralisação do Departamento de Segurança Interna (DHS), que cumpre já cinco dias sem sinais de acordo entre democratas e republicanos.
O escândalo relacionado com a divulgação de documentos do falecido empresário, gestor de fortunas e criminoso sexual Jeffrey Epstein e as acusações de encobrimento dirigidas à Administração Trump serão outros dos pontos sensíveis que vão marcar a sessão de terça-feira no Capitólio.
