Reunião "franca e construtiva" entre EUA e Dinamarca dá origem a grupo de trabalho

Vivian Motzfeldt (à esquerda) e Lars Loekke Rasmussen (centro) estiveram em Washington após meses de pressão dos EUA
Foto: Mads Claus Rasmussen / EPA
Diplomatas de Copenhaga e da Gronelândia reuniram-se com Vance e Rubio. Será criado um grupo de trabalho para encontrar "caminho comum".
Meses de ameaças dos EUA contra a Dinamarca para que Washington tome a Gronelândia culminaram, esta quarta-feira, num encontro de alguns minutos na Casa Branca, numa tentativa de solucionar o impasse. Perante a escalada de tensão, com o presidente norte-americano a considerar o território sob controlo dinamarquês "vital" para os EUA, Copenhaga iniciou exercícios militares com aliados.
O encontro no complexo da Casa Branca, com o vice-presidente, JD Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, durou menos de uma hora. No final, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen, considerou que há um desacordo de base entre os dois países, mas a reunião "franca e construtiva" deu origem a um grupo de trabalho, que se se formará em breve, para aproximar posições sobre as preocupações de segurança dos EUA, sem ultrapassar as "linhas vermelhas" do reino europeu.
Lembrando a longa relação diplomática entre os países, Rasmussen considerou que "não é necessária" uma aquisição do território. "É um trabalho que vai começar. Se é possível? Não sei", sublinhou aos jornalistas, numa conferência de imprensa na embaixada da Dinamarca em Washington. Lembrou ainda que a Gronelândia está abrangida pelo artigo 5.° da NATO sobre defesa mútua e que os EUA já têm acesso militar amplo ao território, devido a um acordo assinado nos anos 50 do século passado.
Horas antes do encontro, Trump voltou a dizer que a ilha é importante para a segurança nacional dos EUA, mais especificamente "é vital para a Cúpula Dourada". O chefe de Estado refere-se ao sistema de defesa aéreo antimísseis proposto para ficar pronto entre o final desta década e meados da próxima.
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"A NATO torna-se muito mais formidável e eficaz com a Gronelândia nas mãos dos Estados Unidos. Tudo o que seja menos que isto é inaceitável", escreveu o magnata. Trump argumentou que a Aliança Atlântica "deve liderar o caminho" na construção do sistema de defesa, pois, se não o fizer, "a Rússia ou a China vão fazer".
Which way, Greenland man? https://t.co/G0NnJdZRJK pic.twitter.com/TLmOwst6M6
- The White House (@WhiteHouse) January 14, 2026
As declarações surgem apesar da contestação dos norte-americanos. Uma sondagem Reuters/Ipsos mostra que 47% dos adultos (14% entre os republicanos e 79% entre os democratas) são contrários aos esforços dos EUA para adquirir a Gronelândia. A tomada através da força militar é mais rejeitada ainda, com 71% a considerarem isto uma má ideia (60% entre os republicanos e 89% entre os democratas).
Exercícios conjuntos
O ministro da Defesa dinamarquês confirmou que Copenhaga terá uma presença militar "mais permanente". Troels Lund Poulsen considera, no entanto, "improvável" que um país da NATO ataque outro membro da Aliança, tratando qualquer indagação sobre um ataque dos EUA à ilha como uma questão "altamente hipotética".
A tutela anunciou que as Forças Armadas do país estavam "a partir de hoje, a mobilizar capacidades e unidades relacionadas com... atividades de exercício". "No período que se avizinha, isto resultará numa maior presença militar na Gronelândia e arredores, composta por aeronaves, embarcações e soldados, incluindo de aliados da NATO", avisou.
A Suécia, por sua vez, informou que está entre os aliados que estão a participar na "Operação Resistência Ártica". Já o ministro da Defesa da Noruega, citado pelo jornal "VG", indicou que enviou dois especialistas militares, visando "mapear uma maior cooperação entre os aliados".

