
Rica em recursos minerais, Gronelândia tornou-se alvo dos EUA, que alegam questões de segurança nacional para ocupar ilha controlada pela Dinamarca.
Foto: Odd Andersen / AFP
França vai abrir um consulado na Gronelândia em fevereiro para aumentar a presença no território dinamarquês, no contexto das crescentes ameaças do presidente norte-americano de anexação da ilha, anunciou esta quarta-feira o ministro dos Negócios Estrangeiros francês.
Em entrevista à rádio RTL, o chefe da diplomacia, Jean-Noël Barrot, explicou que a medida permitirá à França "enviar uma mensagem política" sobre a situação atual. As suas declarações surgem poucas horas antes do encontro entre os ministros dinamarquês e gronelandês com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e o vice-presidente, JD Vance, na Casa Branca.
A decisão de abrir o consulado foi tomada no verão passado pelo chefe de Estado francês, Emmanuel Macron, sendo que o ministro dos Negócios Estrangeiros esteve lá em agosto "para planear a abertura do consulado", que começará a funcionar a 6 de fevereiro.
"Isto transmite uma mensagem relacionada com o desejo de ter uma maior presença [no território], incluindo na área científica", alegou, acrescentando que "a Gronelândia não quer ser governada, adquirida ou integrada nos Estados Unidos". "A Gronelândia decidiu ser dinamarquesa, fazer parte da NATO e da UE", referiu, lembrando as palavras do primeiro-ministro da Gronelândia.
Jens-Frederik Nielsen admitiu na terça-feira que o país está "perante uma crise política", sublinhando que se tiver de ser feita uma escolha entre os Estados Unidos e a Dinamarca, a decisão será ficar na Dinamarca. "A Gronelândia não quer que ninguém a possua nem que ninguém a controle", disse Nielsen.
Donald Trump tem insistido em adquirir controlo do território "a bem ou a mal", alegando que não vai permitir que a Rússia ou a China "ocupem a Gronelândia". O presidente norte-americano adiantou querer comprar o território à Dinamarca, mas admitiu também uma intervenção militar para tomar o controlo da região, que faz parte NATO e da União Europeia.
