
Pedro Ponte e Sousa refere a flagrante violação do direito internacional pelos EUA
Foto: Direitos Reservados
Pedro Ponte e Sousa considera que será difícil que o ataque deste sábado derrube o regime iraniano, mesmo que se confirme a morte de Khamenei. Sobre os acontecimentos das últimas horas, refere que as negociações sobre o programa nuclear terão sido uma cortina de fumo, que tornam os EUA num parceiro pouco confiável para negociar no futuro, mas a principal preocupação do professor de Relações Internacionais da Universidade Portucalense é mesmo o discurso de Trump que, com pequenos ajustes, poderia ser usado para justificar a invasão da Gronelândia.
Numa altura em que corriam negociações, surge este ataque. O que terá precipitado esta situação?
Uma das possibilidades é as negociações não estarem a produzir avanços. E, de facto, tendo em conta a posição maximalista dos EUA, ou seja, de querer o fim do programa nuclear sem dar nada em troca, torna muito difícil o processo negocial. O Irão colocava em cima da mesa a questão das sanções, mas poderiam ter sido discutidas outras. A verdade é que, quando se negoceia com uma pistola apontada à cabeça, isso não é bem uma negociação. O que esteve a acontecer durante estas semanas, em que os Estados Unidos impuseram condições, sem que nunca fosse visível o que poderia avançar em troca, não corresponde a negociação, corresponde a coerção, a chantagem.

