EUA e Israel matam líder supremo do Irão num conflito que se alastra pelo Médio Oriente

Manifestantes pró-Khamenei num protesto perto da embaixada dos EUA em Bagdade, Iraque
Foto: Ceerwan Aziz / EPA
Ataques sob a alegação de que iranianos planeavam desenvolver armas nucleares criam incerteza no futuro da República Islâmica, com Trump e Netanyahu a apelarem à revolta popular. Bombardeamentos causam centenas de mortos, tendo Teerão respondido com mísseis e drones. Países do Golfo alarmados com vários incidentes.
O líder supremo iraniano, o aiatola Ali Khamenei, morreu durante os ataques israelitas e norte-americanos contra o Irão, na manhã deste sábado. A informação, sugerida pelo primeiro-ministro de Israel e corroborada por fontes de Telavive, foi confirmada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A operação militar conjunta ocorreu em pleno processo de negociação sobre o programa nuclear iraniano, com os Estados Unidos e Israel a criarem um clima de incerteza no Médio Oriente, que testemunhou uma vaga de retaliação por parte de Teerão.
"Khamenei, uma das pessoas mais perversas da história, está morto", escreveu Trump na rede Truth Social. "Isto não é apenas justiça para o povo do Irão, mas para todos os grandes americanos e para aqueles de muitos países do Mundo que foram mortos ou mutilados por Khamenei e o seu gangue de bandidos sedentos de sangue", acrescentou. "Não conseguiu escapar à nossa inteligência e aos nossos sofisticados sistemas de rastreio e, trabalhando em estreita colaboração com Israel, não havia nada que ele, ou os outros líderes que foram mortos juntamente com ele, pudessem fazer", declarou.
Trump, que nunca escondeu o desejo de uma mudança de regime, instou aos membros da Guarda Revolucionária e da Polícia a juntarem-se aos revoltosos para fazer cair a República Islâmica. "Os bombardeamentos pesados e precisos, contudo, continuarão ininterruptos durante toda a semana ou pelo tempo que for necessário para alcançarmos o nosso objetivo de paz em todo o Médio Oriente e, de facto, no Mundo!", ameaçou.
As Forças de Defesa de Israel confirmaram ainda as mortes de Ali Shamkhani, conselheiro de Khamenei para assuntos de segurança, Mohammad Pakpour, comandante da Guarda Revolucionária, e Aziz Nasirzadeh, ministro da Defesa.
Reação nas ruas e mortes em escola
Antes mesmo da confirmação pelo presidente norte-americano, a agência France-Presse reportou celebrações nas ruas de Teerão após a sugestão feita pelo primeiro-ministro israelita de que havia "muitos sinais" de que Khamenei não tinha sobrevivido. Benjamin Netanyahu apelou ao povo iraniano a "inundar as ruas e terminar o serviço". O movimento na capital iraniana ocorreu apesar de as agências Tasnim e Mehr noticiarem que o líder supremo estava "firme e inabalável no comando da situação".
A operação militar resultou em pelo menos 201 mortes no Irão e 747 feridos, segundo um balanço do Crescente Vermelho, que registou casos em 24 das 31 províncias iranianas. Entre as vítimas mortais estão 85 pessoas numa escola feminina em Minab, no Sul, de acordo com o site judiciário Mizan Online - num caso classificado pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, como um "ato bárbaro".
Retaliação atinge vários países
As autoridades iranianas fecharam o estreito de Ormuz, vital para o transporte de petróleo produzido no Golfo Pérsico. A resposta com drones e mísseis, ao longo do dia, atingiu bases americanas e infraestruturas civis em oito países. Em Israel, pelo menos uma mulher morreu. Outras 20 pessoas ficaram feridas.
Nos Emirados Árabes, um civil paquistanês morreu em Abu Dhabi devido à queda de destroços. Um dos terminais do aeroporto internacional de Dubai teve danos ligeiros, enquanto uma explosão na ilha artificial The Palm, um empreendimento de luxo, deixou quatro feridos.
No Kuwait, 12 pessoas ficaram feridas nos ataques que atingiram áreas residenciais e o aeroporto. No Bahrein, edifícios residenciais na capital Manama foram afetados. Não há registo de americanos mortos ou feridos.
Os ataques, tanto israelo-americanos quanto iranianos, foram respondidos com pedidos de respeito ao Direito Internacional por parte dos países europeus. Uma reunião do Conselho de Segurança da ONU está a decorrer em Nova Iorque.

