
Burkina Faso
Dir-se-ia que é Natal em quase todo o Mundo. Crenças religiosas à parte, as festividades serão sempre um "luxo" numa série de países e regiões, entregues a conflitos armados que, mais recentes ou que se vêm arrastando no tempo, penalizam milhões de pessoas, que, na sua maioria, não foram tidas nem achadas no contexto dos interesses de senhores da guerra e potências mundiais.
Líbia
Lutas pelo poder duram há nove anos
Após a queda do regime de Muammar Kadhafi, em 2011, na sequência de uma revolta interna e uma decisiva intervenção aérea de forças da NATO, a Líbia partiu para uma situação de caos, com contínuos conflitos e lutas pelo poder. Atualmente, a guerra opõe o Governo de Acordo Nacional e as forças sob o comando do marechal Khalifa Haftar, líder do Executivo não reconhecido internacionalmente.
Turquia
Imbróglio curdo sem fim à vista
O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) desencadeou, em 1984, uma guerrilha no sudeste turco, com maioria de população curda, que provocou mais de 40 mil mortos, entre combatentes, forças turcas e população civil. A organização é considerada "terrorista" pela Turquia, Estados Unidos e União Europeia. Presentemente, o PKK é perseguido pelas forças turcas nas zonas montanhosas do norte do Iraque.
Mali
Fundamentalismo impera desde 2012
A instabilidade que afeta o Mali começou com o golpe de Estado em 2012, quando vários grupos rebeldes e organizações fundamentalistas tomaram o poder no Norte e no Centro do país. Para escaparem ao controlo estatal, recorrem às armas. Resultado: milhares de mortos e perto de um milhão de deslocados.
Burkina Faso
Jiadistas agravam uma condição débil
País da região africana do Sahel, o Burkina Faso, pobre e sem litoral, com 20,3 milhões de habitantes, tem sido alvo, desde 2015, de ataques jiadistas recorrentes, que já causaram pelo menos 1200 mortos e mais de um milhão de deslocados internos.
Moçambique
Uma província refém da violência
A violência armada em Cabo Delgado, onde se desenvolve o maior investimento multinacional privado de África, para a exploração de gás natural, está a provocar uma crise humanitária com mais de 2000 mortos e 560 mil deslocados. Entre os agressores, está o grupo jiadista Estado Islâmico.
Síria
Primavera que acabou em tragédia
Desde 2011, na sequência da "Primavera Árabe", a guerra civil na Síria causou mais de 380 mil mortos e milhões de refugiados e deslocados. A crise económica e as sanções esmagam o país e Bashar al-Assad continua firme na Presidência, auxiliado pelos russos.
Iraque
Estado Islâmico resiste e mata
Apesar da anunciada derrota em 2017, o grupo extremista Estado Islâmico ainda efetua ataques no Iraque. Recentemente, uma emboscada jiadista provocou dez mortos a norte de Bagdade, a capital. Pouco tempo antes, um ataque com granada provocava igual número de vítimas.
Afeganistão
Fraco poder da negociação
Desde que foram expulsos do poder, em 2001, por uma coligação internacional, que incluía, entre outros, os Estados Unidos, os talibãs tentam voltar ao poder e restabelecer o seu regime brutal. Passados 19 anos, e milhares de mortos, entre civis e militares, e milhões de deslocados, o Governo afegão e os insurgentes tentam, mais uma vez, chegar à paz. Porém, os atentados talibãs e do Estado Islâmico continuam a semear a morte.
Caxemira
Uma região, duas potências
Índia e Paquistão travaram três guerras e vários conflitos menores desde 1947. Atualmente, as duas potências nucleares disputam a região dividida de Caxemira, com ambas a reclamar o seu controlo total. Os dois lados acusam-se regularmente de ataques provocatórios em violação de um acordo de cessar-fogo ao longo da militarizada Linha de Controlo firmado em 2003.
Iémen
Civis indefesos perante as armas
Desde 2014 que o Governo do Iémen reconhecido internacionalmente - apoiado por uma coligação militar liderada pela Arábia Saudita - e os rebeldes huthis lutam para conquistar o poder. Segundo a ONU, a guerra já causou 233 mil mortos, dos quais 131 mil por causas indiretas, como a falta de alimentos, serviços de saúde e infraestruturas.
Etiópia
Um Nobel da Paz impõe a guerra
Abiy Ahmed, primeiro-ministro etíope e vencedor do Prémio Nobel da Paz 2019, enviou, a 4 de novembro, o exército federal para a região do Tigray para substituir os líderes da separatista Frente Popular de Libertação de Tigray, que vinham desafiando o Governo central. Até agora, milhares de mortos e de deslocados.
Somália
Uns conflitos atrás dos outros
O país mergulhou no caos após a queda do regime militar do presidente Siad Barre, em 1991, seguida de uma guerra de líderes de clãs e da ascensão do Al-Shabab. O grupo extremista controlava a capital somali, Mogadíscio, quando foi expulso, em 2011, pelas tropas da União Africana. Atualmente, controla vastas áreas rurais, de onde conduz as operações.
Nigéria
Raptos em massa é marca funesta
O "reinado" do grupo terrorista Boko Haram começou em 2009. Especialista em raptos em massa de crianças e jovens, o Boko Haram e a sua ala dissidente, o grupo do Estado islâmico na África Ocidental (Iswap), já mataram mais de 36 000 pessoas em 11 anos de conflito, que provocou dois milhões de deslocados, que continuam a não poder regressar às suas casas.
