
MICHEL EULER/AFP
Os franceses que esta manhã votavam no primeiro bairro de Paris, no centro do centro da capital, consideravam que a escolha de Presidente que este domingo fazem é determinante para a França, mas também para a Europa.
Cerca de 46 milhões de eleitores votam hoje na segunda volta das eleições presidenciais em França para escolherem entre Nicolas Sarkozy, candidato à reeleição, e o socialista François Hollande, que as sondagens apontam como vencedor.
Neste bairro parisiense, na primeira volta, Nicolas Sarkozy venceu François Hollande, contra as previsões das sondagens e contra os resultados finais em todo o país. Na primeira volta, o socialista conseguiu, em França, 28,63 por cento dos votos, contra 27,18 do Presidente cessante. Aqui, onde votam pouco mais de 10 mil eleitores, Sarkozy ganhou a Hollande por quase 9 pontos percentuais.
Esta manhã, junto à câmara municipal, no centro do centro da capital, ao lado do museu do Louvre e a poucos metros do rio Sena, que corta a cidade a meio, o céu ameaçava chuva.
Leticia Huette, 67 anos, acabara de votar com o marido, depois de, durante meses, ter seguido, "de muito perto", uma campanha "um pouco dececionante", em que "os assuntos de fundo não foram abordados".
"O próximo Presidente, seja ele qual for, terá um trabalho extremamente difícil para endireitar a situação. Mais difícil que há dez anos, porque os problemas são muito mais cruciais. Há dez anos os problemas foram postos em espera, ninguém quis ocupar-se deles, por isso, agora é preciso agir e agir depressa", disse à Lusa.
Esta reformada acredita que a eleição de hoje vai também ser determinante para a Europa: "Em primeiro lugar porque a França é ainda um país com algum peso, e que pode encaminhar os outros países europeus, e também porque os laços entre a França e a Alemanha são suficientemente fortes para pôr em marcha uma mudança na Europa", afirmou.
Depois dela, a sair da mesa de voto número um, Marie Pigalle, 43 anos, professora do ensino secundário, disse à Lusa que, embora considere que, "no plano económico, não haverá grande diferença entre a atuação de um ou de outro dos candidatos enquanto Presidente", julga "urgente" que a França mude de caminho em muitas questões sociais.
"Sou professora. Acho inadmissível a forma como Sarkozy tratou a escola pública, suprimindo postos de trabalho um pouco às cegas, e pondo fim à formação para os professores. Para além disso, sou homossexual e quero poder casar com a pessoa com quem vivo e quero poder adotar crianças", acrescentou.
A Europa, disse ainda, "só poderá beneficiar com uma mudança deste tipo em França".
Anne-Marie e Francis Belomme, casados, já perto dos 80 anos, ambos reformados, ele ex-responsável de recursos humanos, ela professora de francês, acreditam que votaram hoje "também pela sobrevivência da Europa".
"Creio que a situação é grave e que é preciso que os franceses se interroguem sobre o que devem fazer. Vemos o exemplo de Portugal, da Itália, da Espanha. Os desafios são completamente diferentes de há uns anos", concordam.
Também Anne Mignon, 43 anos, farmacêutica, sente que não veio hoje só votar pelos franceses e pelo futuro da França: "A França tem um papel importante na Europa. E vai, provavelmente, decidir mudar de caminho", disse.
"s 12:00 em França (11:00 em Lisboa), a taxa de participação no escrutínio já era de 30,66 por cento, superior à da primeira volta, de 22 de abril, à mesma hora, que foi de 28,26 por cento. A taxa global de participação na primeira volta das presidenciais foi de 79, 47 por cento.
As primeiras projeções de resultados devem ser conhecidas às 20:00 (19:00 em Lisboa), hora a que encerram a últimas mesas de voto.
