Embaixadora ucraniana em Lisboa: "A experiência de Portugal é extremamente valiosa para nós"

Maryna Mykhailenko, embaixadora da Ucrânia em Portugal desde 2023
Foto: Reinaldo Rodrigues / Arquivo
A poucos dias de se completarem quatro anos do início da guerra entre Ucrânia e a Rússia, o JN entrevistou, por escrito, a embaixadora ucraniana em Portugal, Maryna Mykhailenko. A diplomata comenta sobre as negociações para o fim do conflito, a posição de Portugal e uma eventual adesão de Kiev à União Europeia (UE).
Estará a Ucrânia disposta a ceder território que controla nas negociações que decorrem com a Rússia e os Estados Unidos?
Antes de mais, é necessário compreender que esta guerra não é sobre territórios, nem sobre língua, nem sobre a Igreja, nem sobre pessoas. Consequentemente, quaisquer concessões territoriais por parte da Ucrânia nunca satisfarão o regime russo nem contribuirão para o fim definitivo da guerra. Estamos perante uma guerra de natureza neocolonial, baseada no revisionismo histórico. Os objetivos desta agressão são muito mais ambiciosos do que cinco regiões ucranianas - trata-se de desmontar a ordem internacional baseada em regras, destruir a unidade dos países democráticos e fazer regressar o Mundo à era dos impérios e das zonas de influência.

