
Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, à entrada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, em Bruxelas
Foto: John Thys/ AFP
A chefe da diplomacia da UE exigiu, esta segunda-feira, que a Rússia se retire dos territórios ocupados em países como a Geórgia ou Moldova no âmbito de um plano de paz para a Ucrânia.
Em declarações aos jornalistas à entrada para uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros, em Bruxelas, Kaja Kallas confirmou as notícias que indicavam que está a desenvolver uma proposta para que a Rússia se retire dos territórios ocupados na Ucrânia, mas também em regiões da Geórgia, Arménia ou Moldova, no âmbito de um plano de paz.
"É verdade que a Rússia ocupou muitos territórios e as suas forças estão em vários lugares, por exemplo na Geórgia ou na Moldova. Por isso, deveria ser claro que, para se conseguir alcançar uma paz duradoura, eles deveriam retirar-se dos territórios ocupados em que se encontram", afirmou.
Kallas admitiu que, para alguns, estas exigências possam ser consideradas irrealistas, "mas, francamente, as exigências que estão a ser feitas pela Rússia [nas negociações para a paz na Ucrânia] também não são realistas de todo".
"Estão a exigir territórios que ainda nem sequer conquistaram militarmente. Por isso, esta proposta é para equilibrar um bocadinho a situação negocial e trazer realmente o foco para onde está o problema, que é no facto de a Rússia continuar a atacar os seus vizinhos", disse.
Depois de já ter dito por diversas vezes que acha que o tamanho das Forças Armadas russas deveria ser limitado no âmbito de um plano de paz, Kaja Kallas foi questionada sobre qual é que acha que deveria ser esse limite.
"Não me cabe a mim dizer, mas, se as Forças Armadas da Ucrânia forem limitadas, então também deveria haver limitações nas Forças Armadas russas, porque elas é que são verdadeiramente o problema", referiu.
Sobre o facto de Steve Witkoff, enviado especial norte-americano para as negociações, ter manifestado otimismo, Kallas disse não partilhar esse otimismo, "porque os negociadores do lado russo não está a ser verdadeiramente sérios nem estão dispostos a falar de nada de natureza política".
"Temos visto muita pressão sobre a Ucrânia para ceder e desistir, mas eles não estão a desistir e isso não traria uma paz de longo prazo. Por isso, não estou muito otimista de que veremos quaisquer resultados nas próximas semanas ou meses", afirmou.
Nestas declarações aos jornalistas, Kaja Kallas foi ainda questionada sobre a situação no Irão, tendo afirmado que a "situação é muito intensa", que "não é necessária outra guerra na região", mas antes uma "solução diplomática"
"Estamos disponíveis para contribuir e não é apenas a questão nuclear, mas também o programa de mísseis balísticos e outras questões. É verdade que o Irão está mais fraco do que nunca. Deveríamos verdadeiramente usar este contexto para encontrar uma solução diplomática", disse.
