Especialistas acreditam ter descoberto sepultura de Nefertiti no túmulo de Tutankhamon

Nefertiti, uma das figuras mais conhecidas do antigo Egito, cuja réplica é uma recordação muito procurada
EPA/MOHAMED HOSSAM
Cientistas egípcios encontraram evidências de que a rainha Nefertiti pode ter sido enterrada numa câmara secreta do túmulo do Faraó Tutankhamon, no antigo Egito.
Corpo do artigo
A polémica sobre o local onde terá sido enterrada Nefertiti, uma das figuras mais conhecidas do antigo Egito, alimentou discussões durante anos. A teoria de que terá sido sepultada no túmulo de Tutankhamon, provavelmente o mais famoso faraó do antigo Egito, ganhou novo fôlego com uma descoberta feita pelo antigo ministro egípcio das Antiguidades Mamdouh Eldamaty.
Com recurso a um radar que penetra no chão, os cientistas descobriram uma câmara escondida atrás do túmulo de Tutankhamon, enterrado há cerca de 3300 anos no Vale dos Reis, em Luxor, no Egito. O espaço, com cerca de dois metros de altura e 10 de comprimento, poderá ser o túmulo de Nefertiti, figura controversa do antigo Egito, que poderá ter reinado no território após a misteriosa morte de Tuthakamon, aos 19 anos, ao fim de 10 anos no poder.
A teoria do túmulo de Nefertiti foi aventada, pela primeira vez, em 2015, pelo egiptólogo britânico Nicholas Reeves. Três anos depois, uma expedição liderada por Franco Porcelli concluiu, após análises junto ao túmulo de Tutankhamon, que não havia nada que pudesse indicar a existência de uma câmara escondida.
Volvidos quase cinco anos, a equipa de Eldamaty anunciou, quarta-feira, ter encontrado provas de que há uma câmara secreta atrás do túmulo do jovem Faraó, descoberto em 1922, por Howard Carter, e cuja máscara mortuária, azul e dourada, se perpetua como um símbolo do antigo Egito.
Segundo a revista científica "Nature", o antigo ministro apresentou as evidências sobre Nefertiti ao Conselho Supremo das Antiguidades do Egito no início deste mês. "Claramente há algo do outro lado da parede do túmulo", comentou Ray Johnson, egiptólogo da Universidade de Chicago, nos EUA, citado pela revista "Nature". É uma descoberta "tremendamente excitante", acrescentou, em declarações à mesma publicação.
"Se fosse provado que Nefertiti foi enterrada com honras de Faraó, seria a maior descoberta arqueológica de sempre", comentou Nicholas Reeves.
Antigo ministro desconfia da descoberta
Zahi Hawass, antigo ministro das Antiguidades do Egito, desconfia desta descoberta e diz que a técnica usada por Eldamaty não é fiável. "Nunca se fez qualquer descoberta em parte alguma do Egito" usando aquele tipo de radar, argumentou.
A localização do túmulo de Nefertiti é um mistério para os egiptólogos. Conhecida como a esposa real de Akhenaten (ou Amenohtep IV), pai de Tuthankamon, é uma figura que divide os egiptólogos, e cujo papel no antigo reino não é totalmente claro.
Alguns especialistas acreditam que foi corregente enquanto Akhenaten era vivo. Outros teorizam que poderia ter ter reinado no Egito mas disfarçada de homem.
A figura alimenta polémica há muitos anos. Em 2010, análises ao ADN demonstram que o faraó Akenaton era pai de Tutankamon, mas a mulher, Nefertiti, não é a mãe do rapaz faraó, permancenco o mistério sobre o papel que teve no antigo Egito.
