
Capital iraniana continua a ser atingida por bombardeamentos israelo-americanos
Foto: Atta Kenare / AFP
Como na Venezuela, presidente norte-americano quer definir substituto de líder supremo. Teerão rejeita ideia de que quer trégua e diz estar pronto para eventual invasão terrestre.
Quase uma semana depois do início do conflito com o Irão, Donald Trump exigiu participar no processo de escolha do futuro líder do país, mesmo que o rumo da guerra permaneça incerto. Enquanto o presidente dos Estados Unidos (EUA) define limites, como a exclusão do filho de Ali Khamenei de uma nova governação em Teerão, o chefe da diplomacia iraniana, Abbas Araghchi, salienta que não vê razões para negociar um cessar-fogo neste momento.
Com indícios de que Mojtaba Khamenei seja o favorito para ser o próximo líder supremo do Irão, o chefe de Estado norte-americano disparou: "O filho de Khamenei é um peso-pena. Preciso de estar envolvido na nomeação, tal como fiz com Delcy [Rodríguez, presidente interina da Venezuela]". Em entrevista ao portal Axios, Trump disse que quer evitar um novo conflito, dentro de cinco anos, com a nomeação de um líder mais favorável. "O filho de Khamenei é inaceitável para mim. Queremos alguém que traga harmonia e paz ao Irão", defendeu.
Apoio à revolta curda
O presidente dos Estados Unidos, que tem dado entrevistas a diversos média, declarou apoio a uma eventual ofensiva dos curdos iranianos contra a República Islâmica. "Acho maravilhoso que queiram fazer isto, apoiaria totalmente", afirmou o líder da Casa Branca à agência de notícias Reuters, sem responder se aceitava dar-lhes cobertura aérea. Teerão tem lançado ataques contra grupos baseados no Curdistão iraquiano, acusando-os de servirem a interesses do Ocidente.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, saudou a "histórica" cooperação militar com os EUA. O chefe do Estado-Maior, Eyal Zamir, indicou que as forças hebraicas "alcançaram uma superioridade aérea quase completa" no espaço aéreo do Irão, tendo destruído "80% dos sistemas de defesa aérea".
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão sublinhou que o país "não está a pedir um cessar-fogo". "Não vemos nenhuma razão para negociar com os EUA. Quando negociámos com eles duas vezes, atacaram-nos, em ambas as ocasiões, a meio das negociações", realçou à estação NBC News.
Araghchi esclareceu ainda que não foi Teerão que encerrou o estreito de Ormuz, importante via marítima para o setor petrolífero e energético do Golfo, argumentando que "foram os navios e petroleiros" que se recusaram a cruzá-lo. "Não temos qualquer intenção de o fechar agora, mas, à medida que a guerra continua, iremos considerar todos os cenários", acrescentou o chefe da diplomacia.
"Estão à vossa espera"
Uma das principais figuras da alta cúpula iraniana, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão reagiu à ideia de uma eventual invasão terrestre limitada por parte dos EUA.
"Alguns oficiais americanos declararam que pretendem entrar em território iraniano por terra com vários milhares de soldados. Os valentes filhos do Imã Khomeini e do Imã Khamenei estão à vossa espera, prontos para desonrar estes oficiais americanos corruptos, matando e capturando milhares", ameaçou Ali Larijani.

