Guerra obriga portugueses a pagar milhares: "São dois dias para chegar a Portugal"

Gabel Oliveira com os amigos Ana Rego e Mikko na Papua-Nova Guiné, onde estiveram antes da passagem por Manila
Foto: Instagram Gabel Oliveira
Viajante portuguesa relata aumento brutal de preços de voos e alojamentos em Manila, nas Filipinas, como consequência da guerra no Médio Oriente, que a reteve na Ásia durante vários dias.
Gabel Oliveira, Ana Rego e Mikko estão "retidos" em Manila desde domingo passado. "Íamos apanhar ligação para Abu Dhabi e depois seguiríamos para a Europa. Mas, devido aos acontecimentos do dia anterior, já não nos permitiram voar", explicou Gabel ao JN. A Ethyad Airlines cancelou o voo original, remarcando-o para esta quinta-feira, mas entretanto também esse foi cancelado. O plano inicial era chegarem a Madrid na segunda-feira passada, mas só vão conseguir sair de Manila esta noite, carregados com encargos inesperados face ao aumento de preços de voos e alojamentos.
"A companhia aérea dava hipótese de reagendar até 31 março, mas, quando tentamos reagendar online, não há voos até abril. Permitem pedir reembolso mas é apenas uma parte (o voo de regresso), que não dá para cobrir nem de longe nem de perto os voos a preços astronómicos que encontrámos", relata a portuguesa, que no mês passado seguiu à aventura para a Papua-Nova Guiné com os amigos e sem nada marcado, depois de ter coordenado um grupo numa viagem pelo Vietname pela agência Landescape. "Felizmente, a viagem de grupo terminou a 14 fevereiro e o grupo não foi afetado", explica.
"Preços elevados e sempre a aumentar"
No caso de Gabel, Tikko e Ana, com exceção da primeira noite, cujo custo foi assumido pela companhia aérea, estão a suportar todos os custos de alojamento, "que têm aumentado por os hotéis ficarem cheios", e alimentação. "Não nos dão qualquer previsão de data para sair daqui. Não dá para continuar a suportar custos sem data de partida à vista", aponta Gabel, notando que, como não está numa zona de conflito nem constitui uma situação prioritária, não conta com apoio consular. As Filipinas não têm, aliás, representação diplomática portuguesa permanente, sendo que os assuntos relacionados com este país são acompanhados pela Embaixada de Portugal em Jacarta.
Gabel passou o dia de quarta-feira colada ao telemóvel a pesquisar conjugações de voos que lhes permitam sair da capital das Filipinas sem passar pela zona de risco, "tudo a preços elevados e sempre a mudar e a aumentar" face ao crescimento da procura.
"Entre 2000 e 6000 euros" para voltar
"Tem sido uma situação stressante pela incerteza. Não dá para sair de Manila. Estamos sempre a aguardar novidades e a pesquisar alternativas. Se tivéssemos data prevista de regresso era diferente. Assim, não dá para relaxar", partilha Gabel, que acabou por comprar quatro voos por rotas alternativas, com saída de Manila nesta quinta-feira à noite. Para chegar ao Porto, vai ter de passar por Seul, na Coreia do Sul, Tashkent, no Uzbequistão, e depois Milão, em Itália.
"Vamos passear uma noite no aeroporto de Seul e outra no aeroporto de Milão. São dois dias para chegar a Portugal", conta. Se pelos voos entre Portugal e Manila tinha pagado cerca de 700 euros (ida e volta), agora para regressar por vias alternativas, em companhias de baixo custo e sem bagagem de porão, o valor ronda os 1100 euros (só vinda). "A maioria das pessoas com quem tenho falado, que reagendaram voos, está a pagar entre 2000 e 6000 euros", acrescentou.
Também em Manila desde fevereiro, Pedro Ribeiro confirma o cenário de "preços ridículos" e alojamentos cheios face à procura repentina com que se deparou. O português acabou por conseguir um voo de regresso a Lisboa, com uma escala em São Francisco, nos Estados Unidos, através da agência de viagens pela qual viajou e que assumiu os custos extraordinários da viagem de regresso. "As duas noites a mais de alojamento assumi eu", contou ao JN.

