
USS Abraham Lincoln
Foto: Will Tyndall / Marinha dos EUA / AFP
O Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos indicou esta terça-feira que um caça da Marinha norte-americana abateu um drone iraniano que se aproximava do porta-aviões USS Abraham Lincoln no Mar Arábico.
Em comunicado, o Comando Central relatou que o drone "aproximou-se agressivamente" do porta-aviões norte-americano com "intenção incerta" e continuou a voar em direção ao navio antes de ser abatido por um caça F-35. "Um caça F-35C do porta-aviões Abraham Lincoln abateu o drone iraniano em legítima defesa e para proteger o porta-aviões e a tripulação a bordo", esclareceu Tim Hawkins, porta-voz do Comando Central, no comunicado.
O drone Shahed-139 foi abatido, segundo as forças norte-americanas, quando o porta-aviões navegava a cerca de 800 quilómetros da costa sul do Irão, não tendo sido registados ferimentos nem danos. Os militares norte-americanos lamentaram que este incidente tenha ocorrido "apesar das medidas de desanuviamento" adotadas pelas suas forças, que "operavam em águas internacionais".
Segundo o Comando Central, o abate do drone ocorreu poucas horas depois de ter sido divulgado que as forças da República Islâmica assediaram o petroleiro "Stena Imperative", de bandeira e tripulação norte-americana que navegava no Estreito de Ormuz. De acordo com o comunicado militar, duas embarcações e um drone iraniano Mohajer aproximaram-se do navio "a alta velocidade e ameaçaram abordá-lo e apreendê-lo".
Um contratorpedeiro norte-americano, com o apoio da força aérea, prestou auxílio ao petroleiro e escoltou-o até um local seguro, segundo o Exército.
Apesar destes incidentes, a porta-voz da Casa Branca confirmou que se mantém na agenda as conversações planeadas para sexta-feira em Istambul, entre o enviado norte-americano, Steve Witkoff, e o chefe da diplomacia de Teerão, Abbas Araghchi. "Steve Witkoff tem conversações agendadas com os iranianos ainda esta semana. Continuam agendadas por enquanto, mas o Presidente [norte-americano, Donald Trump] tem obviamente várias opções em cima da mesa, e o uso da força militar é uma delas", comentou Karoline Leavitt à estação Fox News.
Trump disse no domingo que espera um acordo com o Irão, após o líder supremo iraniano, Ali Khamenei, ter alertado para o risco de uma "guerra regional" se a República Islâmica for atacada. "Espero que cheguemos a um acordo", afirmou o líder norte-americano, acrescentando, em resposta às declarações do ayatollah: "Se não houver acordo, veremos se ele tinha ou não razão".
Donald Trump tem dirigido nas últimas semanas repetidas ameaças de ataque militar no Irão, que começaram por ser justificadas como uma resposta à repressão das autoridades de Teerão dos protestos antigovernamentais ao longo de janeiro. Posteriormente, Trump exigiu também um acordo sobre a política nuclear de Teerão, reforçando as ameaças com o destacamento de uma frota naval dos Estados Unidos para o Médio Oriente, liderada pelo porta-aviões "USS Abraham Lincoln".
O presidente do Irão, Masoud Pezeshkian, anunciou esta terça-feira que instruiu o ministro dos Negócios Estrangeiros a procurar negociações "justas e equitativas" com os Estados Unidos, num sinal de abertura ao diálogo. Numa mensagem divulgada na rede social X, Pezeshkian afirmou que a iniciativa surge após "pedidos de governos amigos da região" para responder à proposta de Washington e iniciar negociações.
Os Estados Unidos juntaram-se em junho passado aos ataques israelitas na República Islâmica e bombardearam instalações ligadas ao programa nuclear iraniano, que Teerão alega ter apenas fins pacíficos.
Ao longo de janeiro, as autoridades iranianas reprimiram com alta violência protestos antigovernamentais contra o elevado custo de vida, vindo a reconhecer 3.117 mortos, na maioria manifestantes. Os números oficiais são contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegam estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.
