Ex-candidato à presidência Enrique Márquez entre os primeiros opositores libertados na Venezuela

Enrique Márquez, de 62 anos, tinha sido detido em janeiro de 2025
Foto: Frederick Villegas/AFP
O ex-candidato à presidência da Venezuela Enrique Márquez foi um dos primeiros presos políticos que saíram da prisão no âmbito das libertações anunciadas pelas autoridades de Caracas, de acordo com um vídeo de um jornalista local.
"Acabou tudo", disse Enrique Marquez na quinta-feira à mulher no vídeo, filmado num bairro de Caracas, para onde foi levado pela polícia na companhia de Biagio Pilieri, colaborador da líder da oposição e Prémio Nobel da Paz Maria Corina Machado.
As libertações ocorrem menos de uma semana depois da captura, em 3 de janeiro, por parte dos Estados Unidos, do Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, no final de uma operação militar sem precedentes em território venezuelano.
Marquez, 62 anos, tinha sido detido em janeiro de 2025. Registou-se formalmente para as eleições presidenciais de julho de 2024 para poder ser o principal representante da oposição caso o Governo rejeitasse a candidatura de Edmundo Gonzalez Urrutia, que substituiu Maria Corina Machado, declarada inelegível. Urrutia acabou por se manter na corrida contra Maduro.
Antes da detenção, Márquez liderou uma cruzada judicial contra a reeleição de Maduro, conquistada, de acordo com a oposição e parte da comunidade internacional, em condições marcadas por fraudes.
Cerca de 2.400 pessoas foram detidas e 28 mortas durante a repressão aos distúrbios pós-eleitorais.
A proeminente advogada venezuelana Rocio San Miguel, detida em fevereiro de 2024, também foi libertada na quinta-feira.
Também cinco espanhóis, incluindo um cidadão com dupla nacionalidade, saíram na prisão, de acordo com o Governo espanhol.
"O governo espanhol congratula-se com a libertação hoje [ontem, quinta-feira] em Caracas de cinco espanhóis, incluindo uma cidadã com dupla nacionalidade, que se preparam para regressar a Espanha com a ajuda da nossa embaixada em Caracas", declarou o Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol num comunicado.
As autoridades da Venezuela anunciaram na quinta-feira a libertação de um "número significativo" de presos, tanto venezuelanos como estrangeiros, afirmou o presidente do parlamento, Jorge Rodríguez.
Trata-se de "um gesto unilateral para reforçar" a "decisão irredutível de consolidar a paz" no país e "a convivência pacífica", sem distinção de ideologia ou religião, disse Jorge Rodríguez, numa conferência de imprensa em Caracas, sem precisar o número de pessoas que vão ser libertadas.
"Considere-se este gesto do governo bolivariano [da Venezuela], de ampla intenção de procura da paz, como uma contribuição que todos e todas devemos fazer para que a nossa República continue a sua vida pacífica e em busca da prosperidade", acrescentou o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela.
Jorge Rodríguez agradeceu ao ex-primeiro-ministro de Espanha Jose Luis Rodríguez Zapatero, ao Presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e ao Governo do Qatar a colaboração neste processo.
O anúncio das autoridades da Venezuela ocorre cinco dias depois da operação militar dos EUA no país da América Latina, que levou à captura de Nicolás Maduro e da mulher, Cilia Flores.
Segundo o balanço mais recente da organização não-governamental (ONG) Foro Penal, há na Venezuela 863 presos políticos, incluindo 86 pessoas com nacionalidade estrangeira ou com dupla nacionalidade.
