
Foto: llinois State Police / AFP
Um ex-adjunto do xerife de Illinois foi na quinta-feira condenado a 20 anos de prisão pelo homicídio a tiro, em julho de 2024, de Sonya Massey, depois desta ter denunciado um possível invasor na sua casa.
Sean Grayson, de 31 anos, foi considerado culpado em outubro num caso de brutalidade policial que provocou protestos contra o racismo sistémico e levou a uma investigação do Departamento de Justiça dos EUA.
Grayson, que é branco, recebeu a pena máxima possível e está preso desde que foi acusado do homicídio. Durante a sentença, pediu desculpa, dizendo que gostaria de poder trazer Massey, uma mulher negra, de volta e poupar a sua família da dor que causou.
O seu advogado tinha pedido uma pena de seis anos, referindo que Grayson tem cancro do cólon em fase avançada, que se espalhou para o fígado e pulmões. "Cometi muitos erros naquela noite. Houve momentos em que deveria ter agido, e não agi. Congelei. Tomei decisões terríveis nessa noite. Peço desculpa", frisou, durante a audiência.
Os pais e os dois filhos de Massey, que pediram pena máxima, disseram que as suas vidas mudaram drasticamente desde o homicídio. "Hoje, tenho medo de chamar a polícia, com medo de acabar como a Sonya", frisou a mãe, Donna Massey, durante a audiência.
Ao pedir a pena máxima de prisão, o procurador John Milhiser argumentou que Massey ainda estaria viva se o departamento de polícia tivesse enviado outra pessoa para atender à ocorrência. "A morte de Sonya Massey abalou a sua família, mas também abalou a comunidade e o país. Temos de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para garantir que isto nunca mais acontece", destacou John Milhiser.
Quando o juiz leu a sentença, a família reagiu com uma grande ovação, tenso sido repreendidos pelo juiz.
Após a audiência, os familiares de Massey agradeceram ao público pelo apoio e por ouvirem as suas histórias sobre ela.
Na madrugada de 6 de julho de 2024, Massey, que lutava contra problemas de saúde mental, chamou os serviços de emergência porque temia que houvesse um intruso à porta de sua casa, em Springfield. De acordo com as imagens da câmara corporal, Grayson e o agente Dawson Farley, que não foi acusado, revistaram o quintal de Massey antes de a encontrarem à porta. Massey parecia confusa e dizia repetidamente "por favor, Deus". Os polícias entraram na casa dela, Grayson reparou na panela no fogão e ordenou a Farley que a retirasse. Em vez disso, Massey foi até ao fogão, pegou na panela e provocou Grayson por se afastar da "água quente e fumegante".
A partir desse momento, a discussão escalou rapidamente. Grayson sacou da sua arma e gritou para que ela largasse a panela. Massey colocou a panela no chão e baixou-se atrás de uma bancada, mas pareceu apanhá-la novamente. Foi então que Grayson abriu fogo sobre a mãe solteira, de 36 anos, atingindo-a na cara. Testemunhou que temia que Massey o queimasse.
A morte de Massey levantou novas questões sobre os tiroteios de polícias norte-americanos contra pessoas negras nas suas casas. O advogado de direitos civis Ben Crump negociou um acordo de 10 milhões de dólares (8,3 milhões de euros, à taxa de câmbio atual) com o condado de Sangamon para os familiares de Massey.
