
Juan Medina/Reuters
O rei de Espanha, Felipe VI, afirmou esta quinta-feira sentir o dever moral de ajudar os mais afetados pela crise económica e defendeu, no seu primeiro discurso como chefe de Estado, um acordo político em defesa do "interesse geral".
Num discurso proferido na sessão histórica das Cortes Gerais em que foi proclamado rei, Felipe VI recordou ainda as vítimas do terrorismo, defendeu a unidade de Espanha "na sua diversidade" e recordou que esta quinta-feira "começa o reinado de um rei constitucional".
Expressou ainda agradecimentos sentidos ao seu pai, Juan Carlos, e à mãe, Sofia, que "dedicou toda a vida ao serviço dos espanhóis", e que suscitaram os aplausos mais fortes do discurso.
"Começo o meu reinado com profunda emoção pela honra que representa assumir a coroa, consciente da responsabilidade que representa e com a maior esperança no futuro de Espanha. Uma grande nação na que creio e que admiro e a cujo destino me senti unido toda a vida, como príncipe herdeiro e agora como rei", disse.
Felipe VI quis homenagear o pai, Juan Carlos, que disse ter tido um "reinado excecional, com um legado político extraordinário".
"Na pessoa do rei Juan Carlos agradecemos a uma geração de cidadãos que abriu caminho à democracia, ao entendimento entre os espanhóis e à sua convivência em liberdade", disse, recordando que o monarca ajudou, com o povo espanhol, "a construir as bases de um edifício político que conseguiu a reconciliação dos espanhóis.
Num discurso de cerca de 30 minutos - em que usou espanhol, catalão, basco e galego no agradecimento final -, Felipe VI disse por duas vezes que representa "uma monarquia renovada para um tempo novo".
Felipe VI referiu-se à mãe, Sofia, e à sua "dedicação e lealdade ao rei Juan Carlos, a sua dignidade e sentido da responsabilidade", apontando-a como "um exemplo que merece um emocionado tributo de gratidão" que lhe prestou, "como filho e como rei".
"Espero que possamos continuar a contar durante muitos anos com o seu apoio, a sua experiência e o seu carinho", afirmou.
Comprometendo-se a cumprir as suas funções constitucionais, Felipe VI disse defender a monarquia parlamentar, considerando que "pode e deve prestar um serviço fundamental a Espanha".
"Saberei honrar o juramento que acabo de pronunciar. Terão em mim um chefe de Estado leal e disposto a ouvir, a advertir e a aconselhar. E a defender sempre os interesses gerais", garantiu.
"A independência da Coroa, a sua neutralidade e vocação integradora, permitem contribuir para a estabilidade do nosso sistema político, facilitando o equilíbrio com os demais órgãos institucionais e ser canal para a relação entre os espanhóis", afirmou.
Defendendo "exemplaridade na vida pública", Felipe VI saudou o papel das gerações passada num discurso virado para o futuro e para uma Espanha que deve ser construída por todos, depois de "não sem dificuldades" se ter convido "em democracia e superando tempos de tragédia, silêncio e escuridão".
"Somos herdeiros desse grande êxito coletivo admirado por todo o mundo. A nós corresponde-nos saber transmiti-lo às gerações mais jovens", disse.
Ainda assim, recordou que "todo o tempo político tem os seu próprios desafios, toda a obra política é sempre uma tarefa inacabada", pelo que há tarefas a realizar no momento atual.
"Os espanhóis e especialmente os da minha geração, aspiramos a revitalizar as nossas instituições, a reafirmar nas nossas ações a primazia dos interesses gerais e a fortalecer a nossa cultura democrática", afirmou.
"Que os cidadãos e as suas preocupações sejam o eixo da atividade política", defendeu, afirmando querer "uma Espanha onde se possam alcançar acordos entre as forças políticas sempre que assim o aconselhe o interesse geral".
Considerando essencial a confiança dos cidadãos nas instituições, Felipe VI defendeu uma sociedade marcada no civismo, na tolerância, honestidade e rigor, com uma "mentalidade aberta, respeito e solidariedade".
