
Ambulâncias no lado egípcio da fronteira aguardam permissão para entrar em Gaza através da passagem de Rafah, no sul do enclave
Foto: AFP
A fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito, em Rafah, interdita por Israel desde maio de 2024, reabriu esta segunda-feira em ambos os sentidos, mas condicionada a 50 movimentos por dia, de acordo com fonte israelita.
"A partir de agora e após a chegada da missão europeia EUBAM, a passagem de Rafah está aberta aos residentes, para entrada e saída", disse aquela fonte à agência France-Presse (AFP).
As forças israelitas já tinham permitido alguma mobilidade naquele ponto no domingo, vital para a ajuda humanitária e para o avanço do cessar-fogo entre o estado de Israel e o movimento islamista palestiniano Hamas.
Na devastada Faixa de Gaza, muitos palestinianos esperam finalmente poder sair. Cerca de 20 mil crianças e adultos palestinianos que necessitam de cuidados médicos esperam deixar o enclave através desta passagem e milhares de outros palestinianos fora do território esperam regressar a casa.
A reabertura da fronteira deverá permitir também a entrada em Gaza dos 15 membros da Comissão Nacional para a Administração de Gaza, encarregados de gerir o território durante um período de transição sob a supervisão do'Conselho da Paz presidido por Donald Trump.
A reabertura completa faz parte do plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para terminar definitivamente a guerra que começou em 7 de outubro de 2023, com o ataque do Hamas contra Israel.
Menino de três anos morto
As Forças Armadas israelitas mataram um menino de três anos num bombardeamento contra uma zona de tendas, na região de Khan Younis, no sul do território palestiniano, que albergava pessoas deslocadas, declarou hoje uma fonte hospitalar. A fonte do Hospital Nasser informou que a morte do rapaz, identificado como Iyad Ahmed Naeem al-Rabai, resultou de um ataque realizado por navios de guerra israelitas nesta zona costeira de Mawasi - fora da área sob controlo israelita em partes da Faixa de Gaza.
Mawasi alberga um grande campo para pessoas deslocadas, onde dezenas de milhares de palestinianos vivem em condições precárias.
Além esta situação, outra pessoa foi morta e várias outras ficaram feridas depois de as forças israelitas terem atacado com uma bomba a escola Arbaikan - que também alberga deslocados internos -, na cidade de Jabalia, no norte da Faixa de Gaza, informou o hospital Ahli.
No sábado, ataques aéreos israelitas mataram 32 pessoas, segundo a Defesa Civil de Gaza, num dos dias mais sangrentos desde o início da trégua, em 10 de outubro de 2025. Israel alegou estar a responder a violações do cessar-fogo. O Exército israelita confirmou numerosos ataques contra o enclave nesse dia e afirmou, em comunicado, ter matado quatro "comandantes e outros terroristas" do grupo islamita Hamas e da Jihad Islâmica, sem fornecer detalhes sobre o local onde ocorreram os ataques.
Com estas mortes, o número de habitantes de Gaza mortos desde a entrada em vigor do cessar-fogo subiu para mais de 520, incluindo mais de 100 crianças, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e dados do Ministério da Saúde de Gaza, que incluem também as vítimas de sábado.
