
Vice-presidente George H. W. Bush num jantar de Republicanos em 17 de março de 1984
George Bush Presidential Library and Museum/Handout via REUTER
O herói da Segunda Guerra Mundial e presidente dos Estados Unidos durante o colapso da União Soviética e nos meses finais da Guerra Fria, George H. W. Bush morreu na sexta-feira à noite em Houston, aos 94 anos.
A mulher, de mais de 70 anos, Barbara Bush, morreu em abril de 2018.
Filho de um senador e pai de um chefe de Estado, George W. Bush, o 41.º presidente norte-americano foi também congressista, embaixador na ONU, líder do Partido Republicano, enviado à China, diretor da CIA [serviços secretos norte-americanos] e 'vice' nos dois mandatos do popular e também republicano Ronald Reagan.
A Guerra do Golfo de 1991 alimentou a sua popularidade. Mas o mandato de Bush ficou marcado pela decisão de quebrar um voto solene que fez aos eleitores: "Leiam os meus lábios: Não há novos impostos", disse então, numa frase que ficou para a memória dos norte-americanos.
Bush perdeu a reeleição para Bill Clinton, numa campanha na qual o empresário H. Ross Perot obteve quase 19% dos votos como candidato independente. Ainda assim, viveu para ver o filho, George W., duas vezes eleito para a presidência. Um 'feito' que na história dos EUA só tinha acontecido com John Adams (pai) e John Quincy Adams (filho).
Após a derrota em 1992, George H. W. Bush afirmou que "os mitos" criados pelos 'media' deram aos eleitores uma impressão errada de que ele não se identificava com as vidas dos norte-americanos comuns e justificou a derrota por "não ser um bom comunicador".
Uma vez fora da Casa Branca, Bush fez sempre questão de permanecer à margem, com poucas aparições públicas, à exceção de um ou outro discurso ocasional ou visitas ao exterior.
Apoiou Clinton no Acordo de Livre Comércio da América do Norte, que teve origem durante a sua própria presidência, visitou o Médio Oriente, onde chegou a ser elogiado pela defesa do Kuwait e, quando regressou à China, foi recebido como "um velho amigo" pelos seus dias como embaixador dos EUA em Pequim.
Mais tarde, voltou a juntar-se a Clinton para arrecadar dezenas de milhões de dólares para as vítimas do tsunami de 2004 no oceano Índico e do furacão Katrina, que inundou Nova Orleães e a costa do Golfo em 2005.
"Quem teria pensado que eu estaria a trabalhar, entre todas as pessoas, com Bill Clinton?", brincou Bush em outubro de 2005.
No período pós-presidencial, recuperou a popularidade, deixando a reputação de um líder fundamentalmente decente e bem-intencionado que, embora não fosse um grande orador ou um visionário sonhador, era um humanitário inabalável.
