Governadora da Virgínia refuta alegações de Trump de que país vive uma "época de ouro"

Governadora da Virgínia, a democrata Abigail Spanberger
Foto: Mike Kropf/Getty Images/AFP
A governadora da Virgínia, a democrata Abigail Spanberger, contrariou o presidente norte-americano, que disse no discurso sobre o Estado da União que o país vive uma "época de ouro", contrapondo que os custos continuam elevados.
A declaração da governadora, de que as famílias ainda enfrentam dificuldades sob as políticas da Administração de Donald Trump, é uma mensagem que os democratas planeiam levar a todo o país antes das eleições intercalares.
Os líderes do Partido Democrata apontam a vitória de dois dígitos de Spanberger na Virgínia, em novembro passado, como a validação de uma campanha disciplinada e focada nos custos, que agora esperam replicar ao resto dos Estados Unidos.
"Os democratas em todo o país estão focados na acessibilidade financeira na capital do nosso país e nas capitais estaduais e comunidades em toda a América", disse Spanberger. "Na nação mais inovadora e excecional da história do mundo, americanos merecem saber que os seus líderes estão focados em resolver os problemas que os mantêm acordados à noite."
Spanberger proferiu o discurso no Colonial Williamsburg, um museu de história viva com edifícios restaurados do século XVIII, aproveitando o papel do local no centro da oposição inicial da Virgínia ao domínio britânico e ligando esse legado ao momento político atual.
A responsável teve, porém, muito menos tempo do que o presidente republicano para falar. O discurso de Donald Trump ao Congresso durou uma hora e 47 minutos, tempo durante o qual descreveu uma nação com custos mais baixos do que quando assumiu o cargo. "Esta é a época de ouro da América", afirmou.
Trump também provocou o lado democrata da Câmara dos Representantes durante todo o discurso por não se levantar, recorrendo a insultos e chamando-os de loucos.
No entanto, da parte democrata houve pouca reação, tendo estes permanecido sentados em silêncio. O deputado do Texas Al Green foi retirado da Câmara apenas dois minutos após o início do discurso presidencial, depois de segurar um cartaz de protesto em que se lia "Pessoas negras não são macacos!".
Mais de 30 parlamentares democratas decidiram boicotar o "discurso sobre o Estado da União" de Donald Trump e não estiveram presentes na sessão conjunta no Capitólio, escolhento concentrar-se no exterior, em frente ao edifício, onde vários tomaram a palavra.
"Um pesadelo que divide e destrói"
Mesmo com a desvantagem do tempo, os democratas argumentam que os ventos políticos estão a mudar. A vitória de Spanberger na Virgínia foi seguida por outras vitórias democratas de destaque, incluindo uma eleição especial no início deste mês no Texas, onde um democrata conquistou um distrito estadual do Senado tradicionalmente republicano, que Trump venceu por 17 pontos percentuais em 2024.
Já o senador democrata Alex Padilla, da Califórnia, apresentou a resposta do partido em espanhol. Em junho, Padilla foi retirado à força da conferência de imprensa da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, em Los Angeles, quando tentava falar sobre as rusgas de imigração.
"Eles podem ter-me derrubado por um momento, mas eu levantei-me imediatamente", disse Padilla no discurso. "Como os nossos pais nos ensinaram: se caíres sete vezes, levanta-te oito. Ainda estou aqui. De pé. Ainda a lutar."
Padilla descreveu a nação como "estando a viver um pesadelo que divide e destrói" comunidades. E exortou os espetadores: "prepararem-se, a partir de hoje [terça-feira], para que a vossa voz ressoe em novembro".
Estão previstos eventos paralelos, incluindo um "State of the Swamp" ("Estado do Pântano") com legisladores democratas ao lado de líderes estaduais e locais e celebridades.
