
Trump cumprimenta o vice-presidente JD Vance no discurso do Estado da União
Foto: Mandel Ngan/ AFP
O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou na noite de terça-feira que o vice-presidente, JD Vance, irá liderar a resposta nacional do Governo a uma alegada fraude no sistema de assistência social.
"Esta noite, anuncio oficialmente a guerra contra a fraude, que será liderada pelo nosso grande vice-presidente, JD Vance", afirmou Trump, no discurso sobre o Estado da União perante o Congresso.
Trump não deu detalhes sobre o alcance da autoridade conferida a JD Vance ou das funções do vice-presidente.
Donald Trump criticou duramente a corrupção no Congresso, pedindo que os congressistas proíbam a negociação de ações por legisladores.
"Mas quando se trata da corrupção que assola os Estados Unidos, não há exemplo mais impressionante do que Minnesota, onde membros da comunidade somali desviaram cerca de 19 mil milhões de dólares (16 mil milhões de euros) dos contribuintes americanos", acusou.
Trump intensificou a retórica contra as fraudes em dezembro, depois de os procuradores do estado do Minnesota revelarem novos detalhes sobre um esquema gigantesco que desviou milhares de milhões de dólares de programas federais.
O chefe de Estado acusou os imigrantes somalis, declarando que a nova "guerra contra a fraude" irá sanar o défice orçamental do país, sem fornecer mais explicações.
"Se conseguirmos encontrar fraudes suficientes, teremos um orçamento equilibrado da noite para o dia", disse, sem indicar como é que esses resultados se concretizarão.
Durante o discurso, Trump pediu aos presentes que se levantassem caso acreditassem que "o primeiro dever do Governo é proteger os cidadãos americanos, não os imigrantes ilegais", manifestando-se em seguida indignado por apenas os republicanos terem atendido ao pedido.
"Deveriam ter vergonha de não se levantarem", lamentou o líder da Casa Branca, referindo-se à plateia democrata.
Ainda sobre o estado da criminalidade no país, o presidente norte-americano afirmou que o tráfico transfronteiriço de fentanil diminuiu 56% desde que regressou ao poder, em janeiro do ano passado. Destacou igualmente as conquistas na área da imigração, afirmando que as travessias de fronteira "caíram para zero".
À medida que ia aprofundando o discurso em torno dos temas de imigração, crime, segurança eleitoral e questões de género, Trump direcionou mais uma vez as críticas aos democratas presentes no Capitólio.
"Essas pessoas são loucas, são loucas. (...) Os democratas estão a destruir o nosso país, mas conseguimos impedi-los por um triz", afirmou.
Trump criticou também os democratas por se recusarem a financiar o Departamento de Segurança Interna. Os democratas asseguraram que não permitirão nem mesmo um financiamento temporário sem que sejam adotadas medidas para restringir as táticas dos agentes de imigração.
Contudo, Trump declarou que não vê motivos para negociar com os democratas e, em vez disso, exigiu a reabertura do departamento.
O chefe de Estado voltou a insistir na terça-feira em falsas alegações de fraude eleitoral, acusando os democratas de trapacear para vencer as eleições. Nesse sentido, pediu ao Congresso que aprove a sua reforma contra a fraude eleitoral, que visa exigências mais rigorosas de identificação do eleitor e comprovação de cidadania para participação nas eleições.
"Peço que aprovem a Lei 'Salve a América', a fim de impedir que imigrantes indocumentados e outras pessoas sem documentos votem nas nossas sagradas eleições americanas", instou, acrescentando que "a fraude é desenfreada", uma alegação infundada que repete com frequência.
No início de fevereiro, a Câmara dos Representantes, de maioria republicana, aprovou esse projeto de lei, que exige que todos os eleitores elegíveis apresentem pessoalmente comprovativo de cidadania, como passaporte ou certidão de nascimento, para se registarem para votar.
Também exige que os eleitores apresentem um documento de identificação com foto no momento da votação, o que atualmente não ocorre em muitos estados. Mas o texto enfrenta um grande obstáculo no Senado, onde são necessários 60 votos para a respetiva aprovação.
