Governo anuncia cessar-fogo após dias de confrontos com combatentes curdos em Alepo

Foto: Omar Haj Kadour/AFP
O Ministério da Defesa sírio anunciou, esta sexta-feira, um cessar-fogo, após três dias de confrontos entre as forças governamentais e combatentes curdos na cidade de Alepo (norte), que causaram a deslocação de dezenas de milhares de pessoas.
O cessar-fogo, de acordo um comunicado, entrou em vigor às 3 horas (0 horas em Portugal continental) nos bairros de Sheikh Maqsoud, Achrafieh e Bani Zaid e deu aos grupos armados seis horas para deixarem a área.
Na nota, o ministério diz ainda que os militantes que partirem podem levar as "armas ligeiras pessoais" e serão escoltados até ao nordeste do país, controlado pelas Forças Democráticas Sírias (SDF, na sigla em inglês), lideradas pelos curdos.
Para já, não houve uma resposta pública das SDF, e não é claro se as forças curdas em Alepo concordaram com o acordo.
O enviado dos EUA para a Síria, Tom Barrack, saudou o anúncio numa declaração na rede social X e expressou "profunda gratidão a todas as partes - o governo sírio, as Forças Democráticas Sírias, as autoridades locais e os líderes comunitários - pela contenção e boa vontade que tornaram possível esta pausa vital".
Barrack referiu que os EUA estão a trabalhar com as partes para estender o cessar-fogo além do prazo de seis horas.
Cerca de 142 mil pessoas foram deslocadas pelos combates, que eclodiram na terça-feira com trocas de bombardeamentos e ataques com drones.
Os dois lados acusaram-se mutuamente de iniciar a violência e de atacar deliberadamente bairros civis e infraestruturas, incluindo equipas de ambulâncias e hospitais.
As forças curdas afirmaram que pelo menos 12 civis foram mortos nos bairros de maioria curda, enquanto as autoridades governamentais relataram que pelo menos nove civis foram mortos em áreas controladas pelo Governo durante os combates.
Dos dois lados contabilizam-se dezenas de feridos e ainda não se sabe quantos combatentes morreram.
Os confrontos ocorrem numa altura de impasse nas negociações políticas entre o Estado central e as SDF.
A liderança em Damasco, sob o comando do presidente interino, Ahmad al-Sharaa, assinou um acordo em março do ano passado com as SDF, que controlam grande parte do nordeste, para que se juntassem ao exército sírio até ao final de 2025. Houve desacordos sobre a forma como essa fusão poderia acontecer.
Algumas das fações que compõem o novo exército sírio, formado após a queda do ex-presidente Bashar al-Assad, numa ofensiva rebelde em dezembro de 2024, eram anteriormente grupos insurgentes apoiados pela Turquia que têm um longo histórico de confrontos com as forças curdas.
As SDF têm sido, durante anos, o principal parceiro dos EUA na Síria na luta contra o grupo Estado Islâmico, mas a Turquia considera-as uma organização terrorista devido à associação com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK, que tem travado uma longa insurgência na Turquia. Um processo de paz está agora em curso.
Apesar do apoio de longa data dos EUA às SDF, a administração de Donald Trump também desenvolveu laços estreitos com o Governo de Al-Sharaa e pressionou os curdos a implementar o acordo de março.
