
População, na maioria curda, em fuga dos bairros de Sheikh Maqsoud e Ashrafieh, em Alepo
Foto: Omar Haj Kadour/ AFP
Pelo menos oito pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas em confrontos que começaram há três dias entre o Exército sírio e as Forças Democráticas da Síria (FDS) na cidade de Alepo, no norte do país.
O balanço de oito vítimas mortais foi divulgado esta quinta-feira pela aliança armada liderada pelos curdos, contudo, segundo a Defesa Civil da Síria, organismo governamental, morreram desde terça-feira 17 pessoas, 16 das quais civis.
O porta-voz das FDS, que integra efetivos de origem curda, Farhad Shami, acusou "fações armadas leais ao governo de Damasco" de bombardear áreas residenciais nos distritos predominantemente curdos de Sheikh Maqsoud e Ashrafieh.
Na quarta-feira, as autoridades sírias no poder em Damasco declararam os dois distritos como zonas militares devido ao agravamento da violência na região.
Shami afirmou que os bombardeamentos noturnos e o cerco estão a aumentar o número de mortos nos bairros de Sheikh Maqsoud e Ashrafieh. Segundo a aliança curda, verificaram-se tiros de artilharia, lançamento de foguetes e ataques com aparelhos aéreos não tripulados (drones) realizados por fações ligadas ao governo de Damasco.
Por outro lado, o Governo sírio - no poder desde 2024 -, acusou as Forças Democráticas Sírias de bombardearem zonas residenciais nos dois distritos de Alepo, bem como, de terem atingido postos de controlo das forças de segurança na região e que provocarem a morte de "várias pessoas".
Recolher obrigatório
Segundo a imprensa estatal síria, as autoridades de Damasco abriram "corredores seguros" para a retirada de civis de Sheikh Maqsoud e Ashrafieh, e permitiram a saída de mais de duas mil pessoas nas últimas horas. As atividades em escolas e instituições de ensino foram suspensas devido à violência armada.

Foto: Omar Haj Kadour/ AFP
O ministro da Informação sírio, Hamza al-Mustafa, citado pela agência noticiosa oficial SANA, afirmou que as medidas de segurança adotadas pelo Estado sírio nos bairros de Ashrafieh e Sheikh Maqsoud, em Alepo, são uma resposta ao que considerou "perigosa presença das Forças Democráticas Sírias (FDS), que atacaram infraestruturas civis e causaram a morte e ferimentos de vários civis, principalmente mulheres e crianças".
Entretanto, o canal de televisão oficial Al-Ekhbariya informou que o Exército sírio anunciou um recolher obrigatório a partir das 13.30 horas (10.30 horas em Portugal continental) de hoje e que vai ficar em vigor "até novo aviso" nos bairros de Sheikh Maqsoud, Ashrafieh e Bani Zeid, na zona norte de Alepo.
O Exército sírio vai iniciar operações dirigidas contra as posições das FDS nos bairros de Ashrafieh, Sheikh Maqsoud e Bani Zeid ao início da tarde, declarou ainda o Comando de Operações Militares do Exército Sírio.
Os novos confrontos em Alepo começaram dois dias depois de o chefe das Forças Democráticas Sírias (FDS), Mazlum Abdi, se ter reunido em Damasco com responsáveis do Governo sírio no âmbito das negociações para integrar as forças da aliança curda síria no Exército Nacional.
Damasco e os curdos sírios assinaram um acordo no dia 10 de março de 2025 para procurar uma solução para as autoproclamadas zonas autónomas no nordeste da Síria, após a queda de Bashar al-Assad há mais de um ano. O processo tem sido perturbado por divergências e confrontos armados.
Entretanto, a Turquia declarou disponibilidade para apoiar o Exército sírio na operação considerada "antiterrorista" contra os combatentes curdos.
