Governo pondera novo voo de repatriamento do Médio Oriente. Viagens custam 600 euros

Emídio Sousa, secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, acompanhou a chegada dos aviões a Figo Maduro
Foto: António Cotrim
O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas anunciou que o Governo está a ponderar um novo voo de repatriamento do Médio Oriente, afirmando que estão a ser realizados "os contactos possíveis para ver quem pretende vir". Os cidadãos repatriados terão de pagar 600 euros pela viagem, um valor que Emídio Sousa não considera "exagerado" tendo em conta o custo total da operação.
O Aeródromo Militar de Figo Maduro recebeu, esta sexta-feira, dois voos de repatriamento do Médio Oriente. O primeiro aterrou ainda durante a madrugada, às 5.18 horas, com 39 passageiros (24 portugueses e 15 estrangeiros provenientes de França, Grécia, Brasil e Israel), numa operação liderada pela Força Aérea. O segundo chegou às 10.16 horas, com 147 cidadãos, entre os quais 139 portugueses e oito cidadãos estrangeiros provenientes da Alemanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América e Peru.

Avião C-130H da Força Aérea aterrou às 5.18 horas em Figo Maduro com 39 cidadãos (Foto: Força Aérea Portuguesa)
Em Figo Maduro, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas revelou que as operações estiveram a ser preparadas ao longo da semana, com o "máximo sigilo" necessário tendo em conta a situação. "Os contactos foram feitos pessoalmente porque há razões de segurança críticas. Ainda hoje, um voo da Air France já estava no ar e foi mandado recuar. Nós fizemos tudo isto com o máximo sigilo e prudência e decidimos comunicar no momento em que as pessoas já estavam a chegar, que já sabíamos que estavam no ar", afirmou Emídio Sousa, após a chegada do segundo voo.

Operação foi pedida pelos ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros (Foto: Força Aérea Portuguesa)
O governante adiantou que o Governo está a trabalhar "num eventual novo voo", para "outra zona onde também há bastantes portugueses" que têm manifestado interesse em regressar, assegurando que todos os pedidos que chegaram até ao momento "estão cá" e que agora "estão a acontecer mais"."Estamos agora a fazer novamente uma ronda pelas pessoas que lá estão para ver os que têm vontade de vir. Porque há duas situações que é importante distinguir: os residentes, a maioria quer continuar lá, sentem-se seguros, os meios de defesa aéreos dos países onde estão funcionam bem; e há os viajantes que foram apanhados numa situação, muitas vezes, até de transbordo, de avião, esses querem vir. Portanto, são duas situações diferentes, nós agora estamos a fazer os conractos possíveis para ver quem pretende vir e reagimos em conformidade", esclareceu Emídio Sousa.
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Repatriados pagam 600 euros pela viagem
Durante a madrugada, aquando da chegada da aeronave da Força Aérea que transportou 39 passageiros, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas confirmou que os cidadãos "terão de reembolsar o Estado português" pelo repatriamento, através do pagamento de 600 euros. "Ninguém deixa de vir, nem é obrigado a pagar à partida nem à chegada. O que nós estamos a dizer às pessoas é que depois terão de reembolsar o Estado português nessa verba, mas ninguém deixará de viajar por falta de dinheiro", atentou.
Emídio Sousa afiançou ainda que "o custo real" da viagem "é superior", que o Governo pretende reaver através da comparticipação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, entretanto acionado, indicando que os Países Baixos estão a cobrar 650 euros aos cidadãos. "Pedimos às pessas um compromisso porque isto tem custos, aliás, o custo real é superior, nós esperamos ainda ter aqui alguma comparticipação do mecanismo europeu [de Proteção Civil], já que o acionámos, mas os holandeses estão a cobrar 650. Portanto, estas viagens têm um custo, não parece que seja exagerado. Eu compreendo as pessoas, mas faz parte dos regulamentos. É a lei e é assim que terá de ser", declarou.

