
São poucas as imagens divulgadas dos confrontos nos protestos no Irão
Foto: Imagens de vídeo/AFP
O Governo português condenou, esta sexta-feira, a repressão das autoridades iranianas sobre os manifestantes que há vários dias protestam contra a economia e o regime daquele país e apelou ao respeito pelos direitos humanos e liberdades fundamentais.
Numa mensagem publicada nas redes sociais, o Ministério dos Negócios Estrangeiros admitiu estar a acompanhar "com preocupação" o cenário no Irão, onde pelo menos 45 manifestantes, incluindo oito menores, foram mortos, segundo um balanço divulgado pela organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights.
"A repressão está a espalhar-se e a tornar-se mais violenta a cada dia", realçou o diretor da ONG, Mahmood Amiry-Moghaddam, acrescentando que centenas de pessoas também ficaram feridas e mais de duas mil foram detidas.
Os meios de comunicação social e as autoridades iranianas, por sua vez, reportaram pelo menos 21 mortes desde o início dos protestos, incluindo membros das forças de segurança.
As ONG relataram o uso de gás lacrimogéneo em vários locais para reprimir as manifestações, bem como de munições reais, e a Amnistia Internacional denunciou que "as forças de segurança iranianas feriram e mataram" manifestantes e civis.
"Condenamos o uso da força contra os manifestantes e apelamos ao respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais", avança a mensagem de hoje do Ministério dos Negócios Estrangeiros português, expressando "solidariedade ao povo iraniano".
Os protestos no Irão começaram no dia 28 de dezembro, inicialmente contra o custo de vida num país sujeito a sanções económicas, mas evoluíram, entretanto, para uma contestação ao regime, transformando-se no maior desafio ao Governo dos últimos anos.
Na quinta-feira, uma grande multidão de manifestantes concentrou-se em Teerão, de acordo com vídeos publicados nas redes sociais e autenticados pela agência de notícias francesa AFP, ao que se seguiu um corte nacional da Internet, considerado como uma forma de censura à divulgação das manifestações.
Os protestos são já maiores do que os que eclodiram após a morte da jovem Mahsa Amini, em 2022, enquanto estava detida por alegadamente usar um véu islâmico mal ajustado.
