Iranianos gritam "slogans" das janelas e telhados contra o regime após manifestações no exterior

Protesto em Munique, na Alemanha
Foto: Fariha Farooqui/EPA
Moradores de Teerão gritaram "slogans" contra as autoridades a partir das suas janelas e telhados, um dia após iranianos residentes no exterior terem participado em grandes manifestações contra a República Islâmica.
Liderado pelo guia supremo, o aiatola Ali Khamenei, o Irão tem sido abalado nos últimos dois meses por um amplo movimento de protesto que foi brutalmente reprimido, com organizações não-governamentais a darem conta de milhares de mortos.
Face à repressão, as manifestações de rua foram diminuindo e os moradores da capital iraniana, Teerão, e de outras cidades começaram, na semana passada, a gritar "slogans" a partir das suas casas, em janelas e telhados.
No bairro de Ekbatan, na capital, iranianos gritaram "Morte a Khamenei", "Morte à República Islâmica" e "Viva o Xá", de acordo com a rede social Sharak Ekbatan, que acompanha a atualidade local, indica a agência noticiosa France-Presse (AFP).
No sábado, numa manifestação organizada pela oposição iraniana em Munique, na Alemanha, Reza Pahlavi, o filho mais velho do deposto Xá do Irão, declarou-se pronto para liderar uma "transição" no caso de o regime ser derrubado.
Pahlavi também incitou os seus compatriotas que vivem no Irão a entoarem "slogans" contra as autoridades em suas casas, dando eco aos das manifestações "pró-monarquia" que ocorreram no fim de semana em Los Angeles (Estados Unidos) e Toronto (Canadá).
O canal de televisão em língua persa Iran International, com sede fora do país, transmitiu imagens de pessoas gritando "Esta é a batalha final, volta Pahlavi" e "Morte à Guarda", referindo-se ao exército ideológico da República Islâmica, a Guarda Revolucionária.
"Slogans" antigovernamentais também foram gritados em outras cidades, incluindo Shiraz, no sul, e Arak, no centro do país, segundo o canal. A AFP ainda não conseguiu verificar a veracidade dos vídeos.
O Governo iraniano reconhece a morte de 3117 pessoas numa onda de violências que atribui aos Estados Unidos (EUA) e a Israel, mas a organização não-governamental iraniana Human Rights Activist News Agency (HRANA), com sede nos EUA, estima o número em 7010, na sua maioria manifestantes, e deu conta de 53.800 detenções.
